A gestora de fundos quantitativos Copacabana Investimentos enfrenta dificuldades operacionais significativas devido ao atraso na atualização das cotas envolvendo a XP e o custodiante S3 Caceis, conforme relato da própria empresa. A administração fiduciária foi contratada pela XP em agosto de 2025 para os fundos Copacabana Quantitativo e Copacabana Absoluto, sob registro na CVM.
Segundo a Copacabana, o acordo foi firmado sem visibilidade adequada dos termos entre a administradora e a S3 Caceis, o que gerou entraves operacionais. A gestora afirma que, quase 9 meses depois, não há liquidez operacional suficiente para processar resgates e novos aportes, levando à interrupção de captações e danos reputacionais junto aos investidores. A empresa também aponta atrasos na divulgação de cotas.
A Copacabana revelou ter tomado ciência, apenas nesta segunda-feira, da transferência da custódia dos fundos para a Planner. A Planner afirmou que a transferência foi iniciada, mas ainda não concluída, e que eventos anteriores à conclusão formal são de responsabilidade dos controladores anteriores.
Na CVM, os fundos Copacabana Quantitativo e Copacabana Absoluto estão registrados com a XP como administradora. A custódia deixou o S3 em 17 de abril, segundo fonte ligada à instituição. A empresa afirma que a transição enfrentou entraves, com datas de transferência remarcadas diversas vezes pela própria XP, por questões de processamento de cotas e instabilidade operacional.
A representante da Copacabana detalha ainda que a administração se recusou a assinar o distrato no qual a XP buscava isentar-se de responsabilidades pelas falhas ocorrentes. Ela acrescenta que a XP tem a responsabilidade de apurar as cotas, especialmente em situações de falhas de prestadores de serviço como a S3.
Segundo a gestora, a ausência de apuração adequada das cotas contribuiu diretamente para a paralisação operacional dos fundos, afetando precificação, entradas e saídas, além de prejudicar a transparência aos investidores. A XP não comentou o caso.
A reportagem do Valor apontou que uma série de fundos da família Trend, da XP Asset, também enfrenta problemas de informação, atribuídos ao prestador de custódia, a S3 Caceis do Santander. A S3 Caceis afirmou não reconhecer qualquer responsabilidade por problemas nos fundos mencionados.
Entre na conversa da comunidade