O Desenrola 2.0 não deve resolver sozinho a inadimplência no Brasil. Aline Maciel, diretora da Serasa, afirmou em entrevista coletiva nesta terça-feira, 5, que o programa pode estancar a sangria, mas não alterar a trajetória do indicador em um cenário de juros elevados. Dados da Serasa apontam recorde: 82,8 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em março.
A Serasa destacou ainda que as dívidas estão concentradas em bancos (27,3%) e em contas básicas como água e luz (21%). De acordo com a pesquisa, 46% da inadimplência decorre da falta de educação financeira, enquanto 38% resulta da perda de renda. O ciclo de crédito pós-pandemia, aliado ao crescimento das fintechs, ampliou o acesso ao crédito para as classes D e E.
Entre os endividados com bancos, 73% possuem dívidas no cartão de crédito, em maioria de menor renda que utiliza o cartão como complemento da renda. Em abril, 49% dos inadimplentes com bancos tinham múltiplas dívidas na mesma instituição, e 71% já tentaram renegociar sem sucesso. Quase 69% desejam descontos maiores, 64% redução de juros e 58% parcelamentos mais acessíveis. Outros 36% precisam aumentar a renda.
Isso mostra que o programa pode trazer impactos significativos no curto prazo, mesmo sem resolver o problema estrutural da inadimplência, segundo a executiva. A Serasa realizou a pesquisa em abril de 2026, com 1.904 pessoas em todo o país.
Novo Desenrola Brasil e novas parcerias
A Serasa anunciou participação no Novo Desenrola Brasil, com 7,7 milhões de ofertas de renegociação no seu ecossistema. A empresa firmará parceria com bancos, em iniciativa que deve começar em breve. A implementação depende da definição completa das questões técnicas do programa.
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