O setor elétrico está diante de um desafio: equilibrar segurança do abastecimento e custo para os consumidores. Dados apontam que o mercado livre de energia, criado no Brasil em 1995, já representa 42% da demanda total e 95% do consumo industrial. A expansão gradual para todos os consumidores começa em novembro de 2027.
Entre janeiro de 2024 e o presente, o preço da energia no mercado livre subiu significativamente. O valor acumulado para quatro anos subiu 59%, de 147 reais por MWh para 233. No nível trimestral, a alta foi de 121%, de 143 reais para 317 reais por MWh. O IPCA acumula 5% no mesmo período.
O preço no mercado está fortemente atrelado ao Preço de Liquidação de Diferenças, o PLD, usado no curto prazo. O PLD médio subiu 84%, de 129 reais por MWh em 2024 para 236 reais por MWh em 2026. Técnicos atribuem a ele mudanças que vão além de oferta e demanda.
Historicamente, o PLD refletia fundamentos previsíveis, como hidrologia e armazenamento de água. Hoje, esse racional não está mais estável, segundo especialistas. Nesse cenário, a segurança energética volta a ser um custo compartilhado pela sociedade.
A discussão técnica envolve dois parâmetros que garantem segurança com custos diferentes. Um deles favorece gerações mais caras, elevando o consumo de térmicas em cerca de 5 bilhões de reais e aumentando tarifas em torno de 1%, sem grande ganho de água nos reservatórios.
Essa tensão entre segurança e custo é central. Atingir o ponto ideal reduz riscos de desabastecimento, enquanto operar acima do ponto aumenta o peso financeiro para o consumidor. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, é apontado como responsável por buscar esse equilíbrio.
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