AXIA, antiga Eletrobras, registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,7 bilhões no primeiro trimestre, revertendo o prejuízo do mesmo período de 2025 e elevando a margem de venda de energia. O destaque fica para a diferença entre ganhos e perdas, com melhoria expressiva da rentabilidade.
A companhia atribui o resultado a uma estratégia de manter parte da capacidade descontratada, disponível para vendas no mercado de curto prazo, onde os preços são mais altos e voláteis. Essa prática, porém, tem gerado críticas entre concorrentes.
Entre empresários do setor, há quem questione a liquidez do mercado de contratos de longo prazo. Alguns tradings comentam que a atuação da AXIA e de outras grandes geradoras pode atrair escrutínio de órgãos reguladores.
Liquidez do mercado e posição regulatória
Segundo o vice-presidente de regulação, institucional e mercado da AXIA, não há sinais de liquidez estruturalmente reduzida no setor. Ele aponta possível movimento conjuntural de risco de contraparte devido a falências de comercializadoras.
A AXIA afirma que a formação de preços não depende da posição comercial das empresas. O executivo ressalta que preços são determinados por modelos que consideram várias variáveis, sem efeito direto da posição de venda ou compra.
A empresa informa que atua com alta parcela de energia descontratada: até 27% neste ano, até 43% em 2026 e até 57% em 2027, conforme balancos divulgados.
Debate sobre metodologia de precificação
Modelos matemáticos usados para fixar preços no mercado elétrico estão no centro do debate. Críticos defendem mudanças na metodologia para reduzir volatilidade e valores elevados, especialmente no início da noite.
O governo avalia possíveis mudanças na fórmula de precificação ainda neste mês. A pauta envolve o CMSE, reunião de técnicos do setor sob coordenação do Ministério de Minas e Energia, para discutir ajustes metodológicos.
Limp sustenta que a volatilidade é natural, citando a natureza do Brasil e a dinâmica entre geração solar/eólica diurna e uso de usinas termelétricas à noite. Ele defende a manutenção dos parâmetros atuais de cálculo.
Analistas da XP sugerem que alterações na fórmula, defendidas por críticos, poderiam reduzir em média cerca de R$ 40 por megawatt-hora os preços de curto prazo. O cenário depende de decisões regulatórias futuras.
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