O Bradesco registrou lucro líquido de R$ 6,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 16% frente ao mesmo período de 2025. Mesmo assim, o que se destacou foi a sinalização de cautela na concessão de crédito diante do cenário macroeconômico mais desafiador, sem abrir mão do crescimento.
O banco informou que manterá um viés mais conservador no crédito, sem estagnar a oferta. O CEO Marcelo Noronha afirmou que a instituição continua a atuar com tração em modalidades de maior qualidade, com bons ratings e garantias relevantes.
A inadimplência com mais de 90 dias cresceu 6 pontos-base no trimestre, para 4,19%, considerado dentro do esperado pelo Bradesco. Noronha não prevê deterioração generalizada, mas reconhece preocupação setorial para os próximos meses.
O Bradesco mantém a visão de avanço da carteira de crédito entre 8,5% e 10% neste ano. No 1º trimestre, a carteira totalizou R$ 1,090 trilhão, alta de 8,4% em 12 meses.
Mudança de estratégia no crédito
Segundo o presidente, o momento atual difere do ciclo de alta da inadimplência visto no pós-pandemia, quando a instituição teve maior exposição à baixa renda. O banco reorganizou a área de crédito, ampliou o uso de modelos estatísticos e de machine learning, e deslocou a carteira para linhas com garantias mais fortes.
A estrutura de crédito passou a contar com uma área de gestão de portfólio e maior integração tecnológica, resultando em um portfólio considerado mais saudável pela gestão.
Atualmente, cerca de 61% da carteira total está lastreada em garantias; na linha de pessoa física, esse percentual chega a 70%.
Além disso, houve avanço na atuação junto a clientes de alta renda. No trimestre, o Bradesco ampliou a base de relacionamento com esse público e elevou o número de clientes para o segmento Prime e Principal, com expectativa de encerrar 2026 com aproximadamente 820 mil clientes no segundo grupo.
Entre na conversa da comunidade