A Polícia Federal registrou um recorde de apreensão de criptomoedas utilizadas em atividades criminosas em 2025, totalizando 71 milhões de reais. O valor representa apenas uma fração do volume movimentado no crime, que chega a dezenas de bilhões de reais. A PF aponta que as moedas foram encontradas em investigações de tráfico de drogas, crimes online, direitos humanos violados e lavagem de dinheiro.
Entre os casos, há operações ligadas a ataques cibernéticos contra a infraestrutura do Pix e à identificação de esquemas de lavagem que movimentaram dezenas de bilhões entre 2017 e 2020. Também houve investigações com relação entre lavadores de dinheiro, redes de tráfico humano e organizações criminosas transnacionais.
Segundo a PF, as criptomoedas ajudam no envio de remessas ao exterior e na ocultação de recursos do sistema financeiro, o que dificulta o rastreio. Dados de 2025 indicam que carteiras associadas a atividades ilegais movimentaram US$ 154 bilhões, cerca de 1% do volume transacionado no ano.
Regulação
A autoridade monetária brasileira avançou na regulação de criptoativos, com resoluções que detalham a Lei de Ativos Virtuais de 2022, incluindo regras contra lavagem de dinheiro e transparência. Também foi criado o marco regulatório para SPSAVs, novas empresas autorizadas a atuar no setor.
O Banco Central trabalha na fiscalização de stablecoins e na supervisão de práticas de segregação patrimonial. Ainda não há um corpo institucional plenamente estruturado para fiscalizar todas as regras, segundo a ANBCB. O BC não respondeu a questionamentos da Folha.
Como funcionam as criptomoedas
As criptomoedas são ativos digitais descentralizados, criados por código e registrados em redes chamadas blockchain. Transações são validadas por redes de computadores e registradas de forma imutável, sem necessidade de bancos.
A compra pode ocorrer via corretoras, com depósito em reais ou dólares. Os ativos podem ficar na corretora ou em carteiras digitais, que funcionam como contas sem banco. Transações são rápidas e rastreáveis com as ferramentas certas.
A troca entre criptomoedas é comum, seja em corretoras ou plataformas descentralizadas que usam contratos inteligentes. O uso criminoso se justifica pela velocidade e pela dificuldade de rastreamento, mas o blockchain permanece público e permite investigação especializada.
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