Brasil enfrenta atraso tecnológico frente ao Paraguai, que avança em energia, indústria e atração de investimentos. O país vizinho se beneficia de Itaipu, com perspectiva de vender energia amplamente a partir de 2027. A notícia se confirma após recentes anúncios de interesse norte-americano.
Paraguai mantém foco em tecnologia e indústria, mantendo uma estratégia integrada de energia barata e atração de capitais. A recente aproximação com empresas de data centers aponta para um polo de inovação na região, impulsionado por energia limpa a baixo custo.
Energia e investimentos estrangeiros
O Paraguai utiliza Itaipu como ativo central, com venda de energia prevista para ampliar a demanda externa. O governo local aposta na adoção de um modelo fiscal competitivo para sustentar o crescimento industrial, semelhante ao aplicado no México com maquiladoras.
O governo dos Estados Unidos sinalizou interesse em energia paraguaia para alimentar data centers de IA, apoio que já se traduz em projetos relevantes. A empresa X8 Cloud anunciou investimento de cerca de US$ 50 bilhões no país, em linha com exposições de grande magnitude.
Indústria, juros e crescimento
O Paraguai segue uma estratégia industrial agressiva, com tributação simples e regras que reduzem o custo de produção. A participação da indústria no PIB paraguaio tem crescido, contrastando com o Brasil, cuja indústria recuou nos últimos anos.
Taxas de juros tornam-se fator-chave: o Paraguai opera com 5,5% frente a 14,5% no Brasil, com juros reais mais baixos e inflação mais moderada. O país também apresenta crescimento acelerado, com expansão de 6,6% em 2025, frente a 2,3% do Brasil.
Desempenho econômico e pobreza
O Paraguai registra queda persistente na pobreza ao longo de 25 anos, estimada em 45 pontos percentuais, ante 27 pontos no Brasil no mesmo período. O índice de complexidade econômica aponta para avanço paraguaio, que deve superar o Brasil nos próximos anos.
População e escala não definem sozinho o cenário: com 7 milhões de habitantes, o Paraguai investe para manter competitividade e atrair tecnologia, ao passo que o Brasil, com 215 milhões, precisa de rumo econômico estável e planejamento robusto para reverter a desindustrialização.
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