Tallis Gomes, empresário por trás da Easy Taxi e da G4, diz trabalhar para ser útil à sociedade, resolvendo problemas e gerando valor. Aos 39 anos, criou e vendeu a startup avaliada em R$ 1 bilhão, integrou a Forbes Under 30 Brasil e foi reconhecido pelo MIT em 2017. Hoje preside a G4, plataforma de soluções empresariais com meta de chegar a R$ 1 bilhão de receita no próximo ano.
Nascido em um ambiente simples, Gomes revela que a disciplina militar moldou seu jeito de operar. Na infância, dividia o quarto com a avó, empregada doméstica. A criação com referências casernárias o levou a enxergar a disciplina como motor de sucesso, segundo suas palavras à Gazeta do Povo.
Ele afirma trabalhar quase o tempo todo e prefere ler a jogar videogame, adotando decisões de longo prazo que resultam em benefícios futuros. O empresário sustenta que o trabalho não é visto como algo ruim pela sua rotina cotidiana.
Disciplina, política de trabalho e críticas à CLT
Gomes critica a expansão da jornada 6×1 e a regulação trabalhista que, na visão dele, encarece a contratação formal. Afirmou que o mercado é líquido e capaz de se adaptar a mudanças, desde que haja menor rigidez regulatória. Segundo ele, regras mais duras estimulam a informalidade e afetam margens de lucro.
A automação e a inteligência artificial são apontadas como oportunidades de adaptação, desde que haja preparação adequada dos trabalhadores. O empresário sustenta que a mudança rápida impõe desafios de formação para quem perde espaço com a tecnologia.
Além disso, questiona as restricciones para entregadores de aplicativos e critica o modelo da Consolidação das Leis do Trabalho. Para ele, a combinação de encargos elevados e rigidez favorece a informalidade em atividades de prestação de serviços.
Trajetória de startups e impacto da G4
Gomes iniciou no setor de serviços sob demanda com a Easy Taxi, em 2011, durante a Startup Weekend no Rio. O empreendimento conectava clientes a motoristas de táxi, alcançou dezenas de milhões de usuários e foi adquirido pela Cabify em 2017 por cerca de R$ 1 bilhão.
Em 2015 lançou a Singu, aplicativo de beleza e bem-estar, adquirido pela Natura cinco anos depois para digitalizar a atuação da empresa. Em 2019 nasceu a G4, que já atendeu 87 mil empresas e registrou receita de R$ 508 milhões em 2025, com meta de gerar um milhão de empregos até 2030.
Perspectivas e cenário regulatório
Gomes afirma que a instabilidade regulatória impede planejamento de longo prazo e inibe investimentos. Menciona mudanças em programas de incentivo, como o Perse, iniciadas na gestão anterior e continuadas de forma mais restrita nos últimos anos, impactando clientes da G4.
Antes de retornar a correspondência com a Gazeta do Povo, o empresário participou de um evento em Los Angeles ligado ao Milken Institute, para discutir competitividade e políticas públicas em países em desenvolvimento.
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