Wall Street voltou a registrar ganhos expressivos em abril e manteve o ritmo em maio, mesmo diante da guerra no Oriente Médio e da cobrança de energia. Os índices Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 tiveram alta de 7%, 15% e 10% respectivamente.
Na sexta-feira passada, Nasdaq e S&P 500 atingiram novos recordes, com ganhos de 1,71% e 0,84%, fechando em 26.247 pontos e 7.398 pontos. O mercado segue otimista, impulsionado por resultados corporativos e expectativas de cessar-fogo.
Apesar da guerra sem prazo definido, o Brent segue acima de 100 dólares o barril, chegando a 126 dólares em 30 de abril. O custo de energia pressiona empresas e consumidores, mas o humor dos investidores permanece resiliente.
Motivos por trás das altas
Dados de abril mostraram forte desempenho, com melhoria de lucros de empresas de tecnologia e financeiras. Do S&P 500, 83% das 440 companhias que divulgaram resultados superaram previsões de lucro.
Analistas destacam que o mercado aposta em revisões positivas de lucros, sustentadas por semicondutores e memórias. O cenário de juros deve permanecer estável, segundo o Fed, entre 3,5% e 3,75%.
O payroll de abril sinalizou criação de 115 mil vagas, acima do esperado, mantendo a taxa de desemprego em 4,3%. A visão de política monetária, no entanto, não indica cortes imminentes.
Riscos e impactos setoriais
A flutuação do petróleo gera incertezas sobre inflação e margens. Se o choque energético se ampliar, o efeito pode reverter em pressão inflacionária, afetando lucros e múltiplos de ações.
Mercado americano está concentrado em poucos nomes de tecnologia e IA. Três empresas responderam por grande parte do crescimento do S&P 500, o que aumenta a sensibilidade a notícias do setor.
Cenário para o Brasil
A alta global do petróleo eleva os preços de combustíveis, pressionando a inflação e limitando cortes de juros. O Ibovespa reagiu a esse ambiente de inflação e Selic, com variações ao longo de abril.
Exportadoras brasileiras podem se beneficiar, mas o ganho costuma não compensar o recuo do apetite ao risco diante da geopolítica. O fluxo estrangeiro segue como motor da bolsa doméstica.
Especialistas destacam impacto menor no Brasil se a guerra permanecer estável, porém a escalada energética pode piorar margens e custos. A Europa também depende muito do Oriente Médio para petróleo.
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