O Brasil enfrenta vulnerabilidades significativas diante da nova geopolítica das commodities, segundo Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global. Em participação no WW Especial, ele analisou o peso estratégico dos produtos primários na economia e os riscos da dependência externa em setores críticos. A fala ocorreu durante o programa da CNN Brasil.
Jank destacou que 75% das exportações do Brasil, que somaram 350 bilhões de dólares no ano passado, são de commodities agropecuárias, minerais e energéticas. O agro representa 50% das vendas externas, mineração e energia somam 25%, e o restante fica em 25%.
Como exemplo dessa reconfiguração, o especialista cita a guerra na Ucrânia, com impactos sobre grãos e fertilizantes, e alerta que bloqueios no estreito de Ormuz podem ter efeito ainda maior do que em 2022. Segundo ele, a questão de Ormuz envolve insumos, petróleo e outros componentes.
Em relação a fertilizantes, Jank aponta que o Brasil depende de importações de 85% a 90% para atender a demanda, o que deveria ter sido enfrentado previamente. Na área de energia, apesar de exportador líquido de petróleo, o país importa cerca de 25% do diesel, da gasolina e da querosene consumidos internamente.
No setor de bioenergia, o Brasil avançou internamente, mas ainda não conseguiu uma aceitação global ampla do modelo. O especialista ressalta que o agronegócio registrou avanços expressivos, com o país passando a ser o maior exportador mundial de commodities agropecuárias há dois anos.
Por outro lado, Jank aponta que o segmento de minerais críticos está longe de atingir seu potencial. Para ele, será necessária uma estratégia de médio e longo prazo capaz de responder à nova geopolítica global, inclusive considerando futuros cenários mesmo com mudanças no Ormuz.
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