O sistema brasileiro de geração de energia é considerado entre os mais robustos do mundo, mas enfrenta desafios crescentes com o avanço de fontes intermitentes como eólica e solar. A afirmação foi feita por Sumara Ticom, assessora executiva do ONS, em painel na São Paulo Innovation Week.
O evento, realizado entre quarta-feira e sexta-feira no Pacaembu e na Faap, reuniu especialistas para debater a operação do sistema elétrico. Ticom explicou que o incremento de geração distribuída solar impacta a operação nacional e que o curtailment, cortes de energia, é utilizado para manter o equilíbrio.
Francisco Galvão, vice-presidente de operações da Elera Renováveis, informou que geradoras da empresa sofrem quedas de 25% a 30% no ano devido aos cortes. Ele destacou a expectativa por leilões de armazenamento de energia em baterias pelo governo.
Wilson Ferreira Júnior, CEO da Matrix Energia, ressaltou a importância da gestão da oferta para a descarbonização. Segundo ele, 92% da matriz brasileira já é renovável, mas o planejamento não acompanhou o ritmo de crescimento.
Para o setor, a solução passa pela adoção de baterias como alternativa a novas termelétricas. A trajetória, na visão de Ferreira Júnior, envolve transição tecnológica e maior integração de sistemas de armazenamento.
Ticom defendeu que o ONS trabalha para evitar falhas de fornecimento, com índices de confiabilidade superiores a 95% ao longo de décadas. O painel discutiu ainda avanços legais, como a Lei 15.267/2025, que ainda demanda agilidade regulatória.
O São Paulo Innovation Week, maior festival de tecnologia e inovação do país, reúne mais de 2 mil palestrantes. O evento prossegue até sexta-feira, trazendo temas de energia, mobilidade, IA e sustentabilidade.
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