O Banco do Brasil registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,43 bilhões no primeiro trimestre de 2026, ante R$ 7,40 bilhões no mesmo período do ano anterior. O desempenho foi fortemente afetado pela turbulência no agronegócio, reduzindo o retorno sobre o patrimônio líquido médio para 7,3% e o resultado ficou abaixo do registrado no fim de 2025. A divulgação ocorreu na manhã desta terça-feira.
Apesar da queda, o resultado veio em linha com as estimativas de analistas compiladas pela Bloomberg, que previam cerca de R$ 3,46 bilhões. A empresa aponta um ambiente mais desafiador para o crédito, com pressão maior na carteira de agronegócios, o que levou a medidas para enfrentar o ciclo de inadimplência.
A CEO Tarciana Medeiros enfatizou a intensificação de garantias por alienação fiduciária e a revisão das esteiras de cobranças como estratégias para recuperar ativos. Na comparação com o 1T24, a recuperação judicial acelerou neste início de 2026, reflexo do foco na recuperação de ativos.
Desempenho e composição da carteira
O BB permanece líder no crédito ao agronegócio, com aproximadamente um terço da carteira total destinada ao setor. Os efeitos do endividamento e do crescimento de recuperações judiciais impactaram os resultados desde o 3T de 2024, levando o grupo a revisões de projeções nos últimos anos.
A margem financeira ficou em R$ 27,42 bilhões, alta de 14,8% em relação ao 1T23, porém com queda de 1,3% frente ao 4º trimestre de 2025. O crédito expandido atingiu R$ 1,306 trilhão, crescimento de 2,2% em 12 meses e 0,7% versus o 3T23.
O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu de 3,63% em março de 2025 para 5,05% ao fim de março de 2026, com leve queda de 0,12 p.p. na comparação trimestral.
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