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Agência da ONU teme crise alimentar após aumento do custo de energia

Conflito no Oriente Médio e El Niño aumentaram os preços de fertilizantes e afetaram plantações na América Latina

Prateleiras de supermercado exibem grande variedade de verduras, legumes e hortaliças frescas, incluindo alfaces, pimentões, pepinos, abobrinhas, brócolis, couves-flores, berinjelas e abóboras, organizados em uma seção de hortifrúti.
Os pequenos agricultores respondem por um terço da produção mundial de alimentos (Nicotitto/Unsplash)

Os preços dos alimentos subiram 13% no terceiro trimestre, e a alta está se acelerando, segundo o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida), agência da ONU. O aumento do custo da energia atinge os pequenos agricultores e eleva o risco de uma crise alimentar mundial, afirmou à AFP o presidente do Fida, Álvaro Lario.

A alta do petróleo, ligada ao conflito no Oriente Médio, encareceu os fertilizantes e os combustíveis neste ano. Com isso, aumentaram os custos de produção e de transporte dos alimentos.

“Nos próximos seis a nove meses, devemos ver a inflação alimentar atingir com força as populações menos capazes de suportar esses custos”, disse Lario. O economista espanhol deu a entrevista durante as reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial em Bangcoc.

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Segundo o Fida, os pequenos agricultores respondem por um terço da produção mundial de alimentos e por até 70% da produção em vários países em desenvolvimento. São eles os mais afetados pela alta da energia.

“Os pequenos agricultores consomem 200 quilos de fertilizantes por hectare por ano no Sudeste Asiático. Isso terá consequências para a produtividade, os rendimentos e, portanto, os preços”, afirmou Lario.

Nos países em desenvolvimento, a alimentação ocupa uma parte maior do orçamento das famílias, o que amplia o efeito dos aumentos. No mundo, “quase uma em cada três pessoas não pode arcar com uma alimentação saudável”, segundo Lario. Dados da ONU indicam que cerca de 260 milhões de pessoas vivem em situação de insegurança alimentar.

Impacto do El Niño

O fenômeno climático El Niño também ameaça as colheitas na África, na Ásia e na América Latina.

“Na América Central já estão sendo registradas perdas nas colheitas de milho e feijão, especialmente em El Salvador e Honduras”, disse Lario.

Na Índia, segundo ele, as monções estão irregulares, e a disponibilidade de água está abaixo do normal. Quase metade das terras cultivadas do país depende das chuvas. A consultoria Oxford Economics aponta Filipinas, Indonésia e África do Sul entre os países mais expostos às perdas provocadas pelo El Niño.

 

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Na quinta-feira, os países do G7 se comprometeram a mobilizar US$ 2,5 bilhões (cerca de R$ 12,6 bilhões) para ajudar os países em risco de insegurança alimentar, com foco nos fertilizantes. O FMI, por sua vez, recomenda apoiar as famílias vulneráveis com transferências de renda direcionadas e programas de alimentação escolar.

Segundo Lario, os governos têm pouca margem no curto prazo e podem, dentro dos limites de seus orçamentos, subsidiar fertilizantes ou combustíveis. Ele defende investimentos “com uma perspectiva de três a cinco anos” em armazenamento, unidades locais de processamento e acesso aos mercados locais, para tornar os sistemas alimentares mais autossuficientes.

O Fida atua em cerca de 90 países e busca atrair capital privado para seus projetos. De acordo com Lario, menos de 1% do financiamento climático mundial chega aos pequenos agricultores.

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