Os Correios ampliarão sua atuação para novos negócios, incluindo armazenamento, importação e exportação, serviços financeiros, digitalização e gestão de documentos. A decisão visa aumentar a receita da estatal diante de prejuízos acumulados.
A medida foi publicada por portaria do Ministério das Comunicações e representa mudança na abrangência das atividades da empresa. A ideia é ampliar serviços postais com logística integrada e soluções digitais. O objetivo é melhorar sustentabilidade financeira.
A empresa poderá atuar em logística integrada, gestão de estoques, transportes de carga, centros de distribuição e logística reversa. Também poderá coordenar operadores logísticos terceiros e atuar como fornecedor de plataformas de integração logística.
Novas áreas de atuação
A portaria autoriza serviços digitais, como digitalização, armazenamento de documentos, certificação digital, assinatura eletrônica e gestão documental. A estatal pode ainda intermediar comércio eletrônico.
Na área financeira, os Correios poderão comercializar seguros, títulos de capitalização e outros produtos regulados. Vendas poderão ocorrer em agências, canais físicos, plataformas digitais ou por parcerias com instituições autorizadas.
A norma autoriza a exploração de serviço móvel por meio de rede virtual (MVNO), usando infraestrutura de operadoras já existentes, conforme regulação da Anatel.
Viabilidade e organização
A implementação dos novos serviços deverá ser precedida de estudos econômico-financeiros. Projetos deverão respeitar critérios de mercado que assegurem retorno sobre investimentos. Os Correios poderão constituir subsidiárias e firmar contratos associativos.
A portaria permite ainda desenvolver soluções para obter ganhos a partir de bases de dados geradas pelas operações, desde que respeitada a proteção de dados, sigilo postal e sigilo empresarial.
Contexto financeiro
Os Correios enfrentam um plano de reestruturação desde o fim de 2025, com prejuízos crescentes e queda no mercado de correspondências. Medidas incluem redução de custos, fechamento de agências, desligamento voluntário e venda de ativos.
O prejuízo de 2025 foi de cerca de 8,5 bilhões de reais, mais que o dobro de 2024. A receita bruta caiu para 17,3 bilhões de reais em 2025, ante 19,4 bilhões em 2024.
O programa de desligamento voluntário recebeu adesão de mais de 3 mil funcionários. O governo também aprovou empréstimos com bancos públicos e privados para reforçar o caixa da estatal.
A administração negocia ainda com a Receita Federal o parcelamento de tributos e com precatórios, para alongar pagamentos e reduzir o peso de encargos no curto prazo. O presidente mantém a linha de não privatização, considerando parcerias estratégicas.
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