A América do Sul surge como uma alternativa viável no mapa global de petróleo, em meio à crise no Golfo. A guerra no Oriente Médio e o bloqueio do estreito de Ormuz elevam os preços e aceleram o interesse por produtores da região, como Brasil, Argentina e Guiana. A reportagem do jornal Les Echos, publicada nesta sexta (15), aponta um novo ciclo de valorização impulsionado pela instabilidade geopolítica.
O Brent subiu de cerca de US$ 65 para acima de US$ 100 por barril em três meses, refletindo vulnerabilidade na oferta mundial. Países da região passam a ser vistos como opções mais estáveis ou produtivas, levando governos a diversificar fornecedores.
Nesse contexto, o Japão já sinaliza ampliar compras de petróleo latino-americano, e a Coreia do Sul negocia com produtores da região, incluindo Brasil e México. A ideia é reduzir dependência de uma única rota de fornecimento diante de riscos.
As projeções apontam crescimento pesado da produção sul-americana até o fim da década, colocando a região entre os principais motores da oferta global. A região pode responder por parte relevante do aumento mundial de produção.
O Brasil assume posição central, com o grosso da produção concentrado nas bacias de Campos e Santos. O pré-sal impulsiona ganhos de produtividade, e a Petrobras vem ampliando capacidade para manter custos competitivos.
Segundo Les Echos, a produção brasileira cresceu 14,6% entre 2025 e 2026, atingindo 5,3 milhões de barris por dia em fevereiro. O petróleo tornou-se o principal item das exportações brasileiras.
Projeções para a região
Estudos indicam que a produção na América do Sul pode subir de 7,4 milhões para 9,6 milhões de barris por dia até 2030. A região poderia responder por cerca de 44% do crescimento global da oferta, fora da Opep.
A Guiana avança com novos campos, o Suriname segue em desenvolvimento, e a Argentina expande a exploração em Vaca Muerta. A Venezuela é mencionada como potencial foco adicional no médio prazo, mesmo com limitações estruturais atuais.
Especialistas destacam que a diversificação de fornecedores é o objetivo central, não a simples substituição de uma região por outra. Ainda assim, o ritmo sul-americano não basta para compensar interrupções no Golfo a curto prazo.
O que muda, na prática, é a correlação de forças no mercado. Crises geopolíticas, expansão produtiva e segurança energética apontam para uma maior participação da América do Sul, com o Brasil em posição de liderança.
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