Marcelo Claure, empresário boliviano e ex-CEO do SoftBank Group International, enxerga no Brasil uma combinação rara de ambiente propício aos negócios com políticas sociais. Em entrevista à Bloomberg Línea, ele avaliou o país como socialista na esfera social e capitalista na prática empresarial.
A Claure Group, holding com cerca de US$ 4 bilhões sob gestão em 2024, atua em tecnologia, IA, transição energética, estilo de vida e entretenimento. O grupo tem presença na Ásia, Europa e nas principais economias da América Latina, incluindo Brasil e México.
Claure também ocupa o cargo de vice-presidente da Shein desde 2023, apoiando a expansão global da varejista chinesa desde então. A parceria envolve estratégias para consolidar a presença da marca no varejo mundial.
Negócio entre GDA Luma e Botafogo
O empresário comentou a proposta da GDA Luma, empresa de investimentos da qual é sócio, para assumir o controle da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Botafogo, clube do Rio de Janeiro. Ele indicou ter interesse em um time brasileiro por meio de um fundo sob seu controle.
Além de investimentos no esporte, Claure anunciou que já atua como proprietário de clubes em outros países. Entre eles estão o Club Bolívar, na Bolívia, o Girona FC, na Espanha, e o New York City FC, nos EUA.
Apostas na Argentina
Claure falou também sobre o mercado argentino, reconhecendo problemas econômicos, mas mantendo a visão de oportunidades no país. Segundo ele, interlocutores do governo são receptivos a investimentos estrangeiros e com regras claras.
Durante a Argentina Week em Nova York, destacada entre 9 e 11 de março, foram anunciados investimentos superiores a US$ 16,15 bilhões em energia, mineração e tecnologia, com participação de empresas locais e compromissos já revelados.
O empresariado boliviano afirmou que a Argentina atrai projetos de grande escala, incluindo infraestrutura digital e data centers. Hoje, a Claure Group investe na Argentina em gás, petróleo, bancos e lítio, ampliando a atuação na região.
Sobre a Bolívia, Claure ressaltou que o país tem potencial, mas carece de reformas para atrair capital externo. Ele criticou políticas fiscais e enfatizou a necessidade de regulamentação estável para a confiança de fundos internacionais.
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