A análise apresentada busca explicar como se formam os juros no Brasil, usando dois componentes. O estudo compara períodos sob diferentes governos e um regime monetário específico, para entender o comportamento da taxa básica de juros e do gasto público.
A primeira variável, mostrada em vermelho, é o excesso do crescimento do gasto primário real do governo central sobre o crescimento real da economia. O gráfico indica, por exemplo, que no governo Lula 2 o gasto primário cresceu 3,3 p.p. mais que a economia.
A segunda variável, em rosa, é a taxa básica de juros anualizada no período. No período conhecido como nova matriz econômica, entre 2012 e 2014, o juro real ficou representado em cinza.
Segundo a análise, em Lula 2 e Lula 3 o gasto público real avançou bem acima do crescimento da economia. Com isso, a pressão sobre a base de recursos levou o aumento dos juros reais para conter a inflação.
Já no governo Temer, quando o gasto público real acompanhou o crescimento da economia, os juros reais ficaram mais baixos. O período da NME registrou gasto maior que a economia, mas juros baixos, o que é apresentado como um experimento monetário que não teve sucesso.
O leitor é levado a questionar, ainda, por que Lula 3 teve juro real superior a Lula 2, mesmo com excesso de gasto menor. São apontadas variáveis como o mercado de trabalho mais apertado e o crescimento dos gastos de estados e municípios que influenciam a dinâmica.
Outra dúvida compartilhada é sobre o recorte anterior a Lula 2. O estudo cita que a acumulação de reservas, iniciada em Lula 1, reduziu o risco-país e alterou a formação da taxa de juros, tornando menos relevante o excesso doméstico de demanda.
A leitura sugere que a convergência para juros civilizados depende de regras que mantenham o gasto primário alinhado ao ritmo da economia ao longo de muitos anos, evitando disparidades entre gasto público e atividade econômica.
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