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Apostas avançam no país e preocupam eleitores, aponta pesquisa

Pesquisa aponta que 59% associam bets a endividamento e 61,9% dizem que jogos online viciam, ampliando o debate público sobre regulação e proteção ao consumidor

Crescimento das apostas preocupa o governo federal pelo avanço sobre o orçamento familiar, aumentando o endividamento. Bets negam - (crédito: Joédson Alves/Agência Brasil)
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O que aconteceu: uma pesquisa encomendada pelo Meio em parceria com o Instituto Ideia aponta que as bets online ganham destaque no debate público brasileiro, com consenso de que as apostas trazem endividamento e podem gerar vício. O levantamento ocorreu entre 1 e 5 de maio entre eleitores com mais de 16 anos.

Quem está envolvido: o estudo envolve eleitores, economistas, representantes de entidades do setor e especialistas em finanças públicas. Entre os dados, destacam-se avaliações sobre consumo, endividamento e impactos macroeconômicos. Participam ainda órgãos setoriais e associações regulatórias.

Quando e onde: a coleta de dados ocorreu de 1 a 5 de maio. O estudo não se restringe a uma região específica, visando compreender percepções nacionais sobre as apostas online.

Por que: o objetivo é entender a percepção pública sobre o papel das bets na economia familiar, além de mensurar a disposição regulatória e possíveis impactos no voto em eleições.

Impacto financeiro

Economista Matheus Portela aponta sinais de que as bets afetam o consumo, principalmente entre varejo popular, elevando a vulnerabilidade financeira das famílias. Sem regulação mais firme, a tendência é de agravamento no médio prazo.

Dados da CNC indicam que, de janeiro de 2023 a março de 2026, a inadimplência causada pelas apostas retirou cerca de R$ 143 bilhões do comércio varejista. O gasto com plataformas digitais no período superou os R$ 30 bilhões mensais.

A CNC estima que 270 mil famílias enfrentaram inadimplência severa, com atrasos de 90 dias ou mais, ligadas ao aumento de gastos com apostas. José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, defende políticas públicas mais rígidas para as plataformas.

Reações e debates

IBJR, que representa plataformas legais, enviou notificação à CNC cobrando transparência metodológica e acesso às bases de dados. O instituto afirma que as conclusões da CNC são alarmistas e não refletem métricas oficiais.

A ANJL sustenta que os números da CNC não condizem com dados oficiais do governo e do setor, afirmando que a dívida tem causas multifatoriais. A pesquisa indica que 44% dos entrevistados percebem alta de endividamento em relação ao ano anterior.

César Bergo, da UnB, diz que camadas mais pobres são mais expostas ao apelo das apostas, principalmente pela busca de ganhos rápidos. Ele ressalta que grande parte do dinheiro arrecadado fica com a banca ou impostos, limitando retorno aos apostadores.

Contexto regulatório e eleitoral

Débora Cunha Ramanov ressalta que a regulamentação brasileira de apostas de quota fixa, conforme Lei nº 14.790/2023, impõe regras técnicas e de proteção ao consumidor a operadores autorizados. A discussão pública envolve limites da publicidade e proteção familiar.

Para muitos eleitores, custo de vida e endividamento são temas relevantes para a decisão de voto, segundo a pesquisa Meio/Ideia, com 41,9% considerando-os muito importantes. O tema das apostas volta ao debate eleitoral em 2024.

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