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BC pode reconhecer necessidade de pausa, diz Ramos do Goldman

Banco Central está muito perto de pausar cortes, diante de inflação elevada, choque de energia e estímulos fiscais, aumentando o risco de recalibração

Alberto Ramos, do Goldman Sachs: o espaço para cortes tem se reduzido rapidamente. (Foto: Bloomberg Línea)
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Em entrevista à Bloomberg Línea, Alberto Ramos, diretor de pesquisa macroeconômica para América Latina do Goldman Sachs, disse que o Banco Central do Brasil está muito próximo de reconhecer a necessidade de pausa no ciclo de cortes. A afirmação vem em meio a inflação elevada, atividade resiliente e estímulos do governo.

Segundo Ramos, o espaço para reduções de juros tem se estreitado diante do choque global de energia e da necessidade de manter ancoradas as expectativas de inflação. Ele afirma que dois cortes de 25 pontos-base, com sinalização de continuidade, seriam adequados, mas apenas se o juro não estivesse tão restritivo.

O economista reconhece que o BC enfrentou fatores inesperados desde o início do ciclo de corte, incluindo choques de oferta e demanda. Ele aponta que a inflação realizada e as expectativas estão acima da meta, com o hiato do produto positivo e o mercado de trabalho muito apertado.

Ramos ressaltou que o BC iniciou os cortes de forma conservadora na expectativa de que o choque energético se dissipasse. Caso o cenário não melhore, o espaço para cortes tende a diminuir rapidamente, tornando plausível uma pausa para recalibração.

Hipótese de pausa e sinalização do Copom

Há risco de a pausa ocorrer já na reunião de junho, segundo o analista, que admite a possibilidade de o BC sinalizar esse caminho caso a inflação se deteriore, o petróleo suba ou o rendimento permaneça acima das projeções. A comunicação ao mercado pode indicar uma interrupção no ciclo.

O BC parece inclinado a manter cortes prudentes de 0,25 ponto percentual, mas pode interromper o ciclo se a inflação não evoluir como esperado. A notícia muda o ritmo de política monetária, com foco na convergência da inflação.

Hiperativismo fiscal no Brasil

Ramos aponta que o BC também enfrenta maior pressão por conta do que classifica como hiperativismo fiscal do governo, com medidas que estimulam a demanda em ano eleitoral. Ele estima que as medidas fiscais e de crédito somam entre 1,1% e 1,3% do PIB.

Ele afirma que novas iniciativas anunciadas pelo governo beneficiam grupos específicos para manter a economia resiliente até as eleições, dificultando a entrega da inflação na meta. O cenário exige calibração cuidadosa da política monetária.

Dólar e câmbio

A manutenção de juros elevados, em comparação a mercados desenvolvidos, tem atraído entradas de capital estrangeiro e mantido o real relativamente firme. Ramos afirma que esse fluxo não se sustenta apenas por fundamentos, mas pela necessidade de o BC manter juros altos.

Ele aponta que a taxa Selic em 14,50% ao ano oferece carrego atrativo a curto prazo. Contudo, o real pode enfrentar volatilidade conforme mudanças no Oriente Médio, condições de energia e potenciais anúncios de cortes adicionais pelo BC.

O economista também cita o papel de fatores externos, como a normalização dos preços de energia e a evolução da conjuntura eleitoral, como vulnerabilidades que podem afetar o câmbio e a política monetária brasileira. Fonte: Bloomberg Línea.

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