A indústria química alemã enfrenta crise persistente e competitividade pressionada por custos de energia elevados, regulação cada vez mais pesada e demanda fraca na Europa. A trajetória de 2022 para cá trouxe quedas na produção e investimentos, com consequências para empregos e rentabilidade.
A produção química na Alemanha continua altamente dependente de energia, incluindo gás natural, calor e vapor. A invasão da Ucrânia em 2022 elevou de forma acentuada os custos energéticos, seguidos por novos aumentos com tensões internacionais recentes, prejudicando margens e planos de expansão.
Segundo a associação VCI, a receita total do setor recuou cerca de 22% entre 2022 e 2025, para 220 bilhões de euros. O conjunto de cerca de 2,3 mil empresas aponta estagnação ou nova queda na produção em 2026, destacando a gasificação como entrave essencial.
A energia mais cara não apenas eleva custos operacionais, mas também funciona como matéria-prima para parte da cadeia. A possibilidade de substituição por biometano é vista como viável apenas em etapas de transição, com disponibilidade ainda limitada.
A Basf exemplifica o cenário: redução de custos no mercado doméstico e maior investimento externo, sobretudo na China, com transferência de funções administrativas para países asiáticos. No setor, mais de 13 mil empregos já foram eliminados desde 2022.
Especialistas apontam que a Alemanha não encara apenas questões energéticas. A demanda europeia fraca e o ambiente econômico conturbado contribuem para o quadro, dificultando recuperação rápida da indústria química alemã.
Apesar do cenário desafiador, o setor permanece estratégico para o país. Analistas destacam necessidade de energia confiável em quantidades suficientes, com preço competitivo, infraestrutura estável e condições regulatórias que deem previsibilidade para investimentos de longo prazo.
A relação entre política pública e competitividade é central. O governo alemão avalia subsídios para eletricidade e reformas no sistema de precificação de carbono da UE, para proteger a indústria sem comprometer metas climáticas. A VCI solicita ainda incentivos fiscais, gás garantido a longo prazo e maior uso de biometano.
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