Dario Durigan, ministro da Fazenda do Brasil, está em Paris para dois dias de reuniões preparatórias da cúpula do G7, que ocorre em junho na França. A participação ocorreu em um evento com acadêmicos e políticos franceses na manhã desta segunda-feira, promovido pela imprensa Le Grand Continent.
Durigan defendeu ampliar a agenda de justiça fiscal e apoiou a adoção de um imposto mínimo para ultrarricos, inspirado na reforma brasileira de 2025. O economista Gabriel Zucman, que integra o debate, propõe 2% sobre fortunas acima de US$ 100 milhões. O tema, porém, não figura entre as prioridades oficiais do G7 este ano.
Durigan reforçou a disposição de discutir taxação de super-ricos, ressaltando que o espaço para agenda depende da presidência do G7. Ele mencionou ainda que, se houver espaço para justiça tributária, é o primeiro a topar, mantendo o tom institucional do encontro.
Foco na reforma brasileira e impactos
A reforma fiscal brasileira já aprovada estabelece imposto mínimo progressivo de até 10% sobre grandes fortunas, com estimativa de atingir 142 mil pessoas no país. O avanço global é considerado tímido, ainda que vários países europeus estudem medidas semelhantes.
Durigan também citou impactos da guerra no Oriente Médio, defendendo subsídios limitados a combustíveis para conter efeitos sobre os preços da energia. O ministro destacou a importância de atrair investimentos estrangeiros e de acessar minerais críticos no cenário mundial.
Paralelamente, a França busca pautas com potencial consenso, como desbloqueio do Estreito de Ormuz e a segurança energética. Durigan disse que o fórum do G7 pode favorecer debates sobre macroeconomia brasileira e segurança jurídica para setores estratégicos.
O ministro mencionou ainda considerar o novo marco regulatório de terras e minerais críticos no Brasil como instrumento para atrair investimentos na economia digital, desde que garanta segurança jurídica e redução de judicialização, com ampla pactuação com o setor.
Agenda e próximos passos
Nesta terça-feira, antes de retornar a Brasília, Durigan tem agenda com Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, em Paris. O encontro sinaliza continuidade das discussões técnicas sobre energia, investimentos e transição econômica.
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