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Paris assume Anbima e mira transparência na venda de papéis bancários

Paris assume Anbima e planeja ampliar autorregulação e transparência na venda de papéis bancários, buscando reduzir assimetria e proteger o investidor

Roberto Paris — Foto: Ana Paula Paiva/Valor
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Roberto Paris assume a presidência da Anbima em São Paulo, nesta segunda-feira (18). Ouve-se a construção de uma agenda para ampliar a autorregulação e elevar a transparência na venda de títulos bancários, excluídos da resolução 179 da CVM. A mudança ocorre em meio a debates sobre conflitos de interesse na distribuição de investimentos.

Em seu discurso de posse, Paris afirmou que as recomendações de produtos devem estar alinhadas aos interesses dos investidores, sem que motivações dos agentes prevaleçam. A meta é tornar mais visíveis as remunerações recebidas e reduzir a assimetria na distribuição de papéis.

Segundo o novo presidente, a Anbima vai ampliar a autorregulação e criar normas de transparência para a venda de títulos emitidos por bancos. O objetivo é aprimorar a compreensão do investidor sobre o que está sendo adquirido.

Paris detalhou, em reunião com jornalistas, que a instituição já expandiu a autorregulação de outros produtos nos últimos quatro anos. Agora, o foco é incluir produtos bancários no escopo das regras de transparência.

A CVM informou que a resolução 179 tornou obrigatória a divulgação de remunerações de corretores, bancos e assessores na oferta de investimentos. Contudo, papéis como CDBs seguem regulados pelo Banco Central e ficaram de fora.

O caso envolvendo o Banco Master reacende o debate sobre transparência. A instituição enfrentou investigações ligadas a operações da Polícia Federal, envolvendo fundos e a liquidação extrajudicial da administradora Reag Trust DTVM.

Paris, com 38 anos de experiência no mercado, lidera a Anbima num momento de escrutínio setorial. A entidade agrega cerca de 1,6 mil empresas, incluindo bancos, corretoras, gestoras e securitizadoras, e mantém diálogo com o regulador.

Em entrevistas, o executivo destacou que a indústria precisa enfrentar casos isolados sem manchar o setor como um todo. A Anbima busca manter o diálogo com reguladores para sustentar um ambiente de negócios saudável.

Paralelamente, a Anbima analisa temas emergentes como ativos digitais e o mercado de carbono. A ideia é prever diretrizes que acompanhem a evolução do mercado de forma responsável e sustentável.

Paris defendeu que a autorregulação deve responder rapidamente às mudanças da indústria. O plano envolve manter a proteção aos investidores em meio a um cenário de maior complexidade regulatória.

Ele ressaltou ainda que o arcabouço autorregulatório precisa se adaptar à nova realidade de atuação dos agentes do mercado. A intenção é tornar as regras mais ágeis e relevantes para o dia a dia das empresas.

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