Em audiência na CAE do Senado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a elevada participação de títulos atrelados à Selic na dívida pública pode dificultar o trabalho da autarquia no controle da inflação. O tema suscita discussões sobre a condução da política monetária em cenário de juros altos.
Segundo dados de março, metade da dívida federal é atrelada à Selic. A taxa básica está em 14,50% ao ano, com o BC mantendo um ciclo de cortes graduais. Galípolo destacou que a remuneração dos detentores de LFT aumenta conforme a Selic sobe, influenciando o comportamento da atividade econômica.
Impacto na política monetária
Em sua fala, o presidente do BC ressaltou que o peso da dívida ligada à Selic pode reduzir a eficácia de medidas para arrefecer a demanda e reduzir a inflação rumo à meta. A instituição considera o cenário de resiliência econômica, baixo desemprego e crescimento real de rendimentos, embora com juros restritivos.
Perspectivas e projeções
Galípolo informou que choques de oferta, como o petróleo e o El Niño, elevam as expectativas de inflação no curto prazo. Observa ainda que projeções para 2028 registram alta, o que não deveria ocorrer apenas por choques transitórios. O Focus aponta inflação de 4,92% para 2026 e 4,00% para 2027.
Autonomia do BC e fiscalização
O dirigente defendeu a autonomia financeira do BC, destacando queda de cerca de 1.300 servidores nos últimos dez anos e o aumento de instituições sob supervisão. Com recursos limitados, o BC pode ter que priorizar atividades, levando a receios sobre a capacidade de fiscalização plena.
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