Em abril, a inflação dos EUA avançou 3,8% em 12 meses, enquanto os salários cresceram 3,6% no mesmo período. Pela primeira vez em três anos, a inflação neutralizou os ganhos dos trabalhadores, conforme dados oficiais. A renda disponível foi pressionada pelo aumento de combustíveis e insumos.
Antes, em fevereiro, a inflação anual já era de 2,4%, com ganho salarial de 3,8%. Questiona-se se a renda agregada continuará acima da inflação ou se ficará abaixo, exigindo uso de poupança ou endividamento por parte das famílias.
Segundo o economista-chefe da AllianceBernstein, Eric Winograd, o crescimento real da renda depende do ritmo de salários e horas trabalhadas. Se a inflação subir mais que os salários, o poder de compra cai. A projeção é de inflação em torno de 4% em maio.
A inflação elevada pode exigir ajustes em escolhas de consumo. Analistas avaliam que o petróleo em patamar alto tende a manter altas de preços, mesmo com mudanças no comércio internacional. A volatilidade impacta o orçamento familiar.
Nesse cenário, o presidente Donald Trump viu sua taxa de aprovação recuar para 37%, o pior patamar de seus dois mandatos. A oposição aproveita para cravar a percepção de custo de vida elevado, alimentando o desgaste político.
Medidas propostas e desdobramentos
Em defesa de mitigar o peso sobre o gasto das famílias, Trump propôs suspensão do imposto federal sobre gasolina. A medida depende de aprovação do Congresso e ainda não tem confirmação de implementação.
Outra medida discutida foi reduzir tarifas de importação sobre carne bovina, mas a pauta foi adiada. A decisão amadurece em meio a protestos de pecuaristas e a avaliação de impactos nas cadeias produtivas.
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