O think tank Centre for European Reform (CER) pediu que a Alemanha retire o brilho pela presença de China na UE e preste atenção ao que chamou de “China Shock 2.0”. O estudo alerta para riscos de deindustrialização caso a complacência perdure.
Segundo o CER, a balança comercial entre China e Alemanha passou de 12 bilhões de dólares em 2024 para 25 bilhões em 2025, elevando o superávit alemão para 94 bilhões de dólares. A mudança acende temores de impacto na indústria local.
O relatório aponta que a China tem intensificado exportações e que a demanda interna no país vem se dispersando, aumentando a pressão sobre as fábricas alemãs, sobretudo nas regiões de Wolfsburg e Stuttgart, tradicionais pólos da indústria automotiva.
Contexto e impactos potenciais
O estudo cita o projeto chinês “10.000 little giants” como ferramenta para mirar no Mittelstand alemão, ecossistema de fornecedores de médio porte. A leitura é de que a Alemanha não diagnostica o problema com clareza.
Para o CER, a raiz do desequilíbrio envolve três fatores: demanda interna baixa na China, possível desvalorização do yuan frente ao euro e políticas chinesas que atingem a base industrial alemã. Ainda não há consenso entre autoridades europeias sobre medidas.
O relatório recomenda que a Alemanha passe a agir de maneira proativa, defendendo junto a parceiros como EUA e UE uma avaliação mais firme da política cambial chinesa e do modelo de comércio. A avaliação é de que esperar o ajuste natural é arriscar mais desindustrialização.
A instituição enfatiza a necessidade de políticas que fortaleçam o papel de Berlin na coordenação macro, evitando que a crise seja absorvida apenas pela indústria local. O alerta é de que o custo social pode aumentar com o tempo.
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