O fabricante de Brinquedos Estrela pediu recuperação judicial nesta quarta-feira (20), em conjunto com outras sete sociedades do grupo, na comarca de Três Pontas, Minas Gerais. O pedido envolve a operação industrial de São Paulo e as áreas de licenciamento, distribuição, editora e cosméticos.
A decisão ocorre sete meses após a celebração de acordo de transação tributária com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que reduziu débitos com a União de R$ 747,9 milhões para R$ 72,4 milhões, parcelados em até dez anos.
Segundo o fato relevante, a empresa aponta três fatores que pesaram na decisão: aumento do custo de capital, restrição de crédito e mudanças no comportamento de consumo com a popularização de canais digitais.
O texto enfatiza ainda o efeito cumulativo desses fatores sobre a estrutura financeira do grupo, sem informar o valor da dívida envolvida nem o número de credores.
A Estrela registrou prejuízo líquido de R$ 24,3 milhões em 2024, ligado à dificuldade de manter o terceiro turno de produção antes do Natal, período crítico para a receita anual.
Em maio de 2026, o valor de mercado da companhia ficou em torno de R$ 42,7 milhões. O passivo tributário renegociado no ano anterior era, antes dos descontos, mais de 17 vezes esse montante.
Estrutura e ativos do grupo
A documentação apresentada revela uma estrutura societária mais ampla do que a marca Estrela sugere ao público, com empresas ligadas a licenciamento, editora, plásticos e cosméticos.
Entre as entidades envolvidas estão Brinquemolde Licenciamento, Editora Estrela Cultural, JM Comércio e Indústria de Plásticos, Starcom Ltda., Starcom do Nordeste, a distribuidora do grupo e Catu Comércio de Cosméticos, sociedade unipessoal.
A Estrela afirma que sócios, acionistas e administradores permanecem à frente da gestão, conforme previsto no artigo 64 da lei de recuperação judicial.
De acordo com o comunicado, o grupo continua operando, com atividades industriais e comerciais em curso, enquanto o plano de recuperação é elaborado e apresentado aos credores.
O desafio agora é apresentar um plano que convença credores de que a marca pode retomar a rentabilidade sem novos ciclos de renegociação, mantendo operações existentes.
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