O Ibovespa ensaiou recuperação nesta quarta-feira, fechando em alta de 1,77%, aos 177.356 pontos. O avanço veio apesar de o mês ainda registrar queda de 5,3% e o ano manter alta de 10%. O giro financeiro atingiu 22 bilhões de reais, acima da média histórica.
As oscilações começaram com Donald Trump, que disse que a guerra entre EUA e Irã pode terminar em breve. Mesmo sem acordo assinado, o otimismo reduziu o risco geopolítico e derrubou o petróleo, elevando o apetite por ativos de risco.
A leitura dominante é de que o movimento foi um respiro, não uma mudança de tendência. Em maio, o Ibovespa chegou ao menor nível em quatro meses, e as bolsas globais veem possibilidade de alta de juros nos EUA neste ano.
No câmbio, o dólar comercial caiu 0,74%, para perto de 5 reais. Na semana houve queda de 1,26%, mas no mês a moeda acumula alta de 1% ante o real. No ano, a desvalorização do dólar frente ao real soma 8,84%.
Das 79 ações que compõem o Ibovespa, 75 subiram hoje, sinal de alívio técnico, ainda que sem confirmação de mudança de cenário. Analistas destacam que o mercado precisa de sinais mais robustos de melhoria.
Panorama externo e demanda por ativos
O ambiente externo segue favorável apenas pontualmente. O petróleo permanece elevado, e a ata do Fed aponta cautela sobre o ritmo de juros, com projeções de alta possivelmente ainda neste ano.
O fluxo de capitais também freou. Embora o saldo de estrangeiros em 2026 seja positivo, houve saída líquida de 10,5 bilhões de reais até o dia 18 de maio. Esse dado contrapõe a recuperação de curto prazo no Brasil.
Perspectivas e fatores locais
Domesticamente, o caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro elevou a incerteza fiscal e eleitoral. O mercado passou a observar a evolução de políticas públicas para 2027 com maior ceticismo.
Segundo analistas, o Ibovespa precisa superar a região de 179.500 pontos e, depois, resistências acima de 188.700 pontos para reverter a tendência de baixa. Sem isso, o cenário continua defensivo.
Para o curto prazo, a alta de hoje é vista como movimento técnico, não uma reversão estrutural. O mercado exige volume positivo e fluxo comprador sustentado para confirmar recuperação.
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