O Brasil passou a ser o primeiro país da América Latina sem novos projetos de usinas a carvão, segundo o relatório Boom and Bust Coal 2026 do Global Energy Monitor. Ao mesmo tempo, ampliou contratos, subsídios e garantias para manter usinas antigas em operação até 2040. A contradição é destacada pelo estudo.
A publicação aponta que, após a COP-30 realizada no Brasil, houve sanção da Lei n° 15.269/2025, prorrogando contratos de energia de carvão até 2040. O custo estimado fica em bilhões de reais, impactando a conta de luz nos próximos anos.
Em março de 2026, o Leilão de Reserva de Capacidade contratou 1,4 GW em usinas movidas a carvão importado, nos complexos de Itaqui, Pecém I e Pecém II. Antes disso, o Ibama encerrou o licenciamento da usina Nova Seival e o processo da Ouro Negro foi arquivado.
Especialistas destacam que, apesar do avanço ao reduzir novos projetos, não houve um plano claro de descomissionamento nem de transição justa para trabalhadores. O estudo alerta para custos potenciais com saúde e meio ambiente.
Avanço e riscos
O relatório registra queda global na geração a carvão em 2025, ainda que a capacidade instalada tenha crescido. China e Índia lideram expansão de capacidade mesmo com alta participação de renováveis.
Brasil é citado como exemplo de país que encerrou propostas novas, mas sustenta extensão de operações de usinas poluentes. A extensão contratual pode gerar impactos financeiros significativos até 2040.
Panorama regional
Ao fim de 2025, o número de países com novos projetos de carvão caiu de 38 para 32, com saída do Brasil, de Honduras e da Coreia do Sul da lista. A tendência indica readequação da matriz energética em várias regiões.
Entre na conversa da comunidade