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Cabo de guerra judicial ameaça a segurança do saneamento e pode encarecer água

Reforma tributária de 2027 aumenta carga para o saneamento e, com projetos no Congresso, pode exigir reequilíbrio contratual, elevando tarifas de água

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A conta de água e esgoto de milhões de brasileiros pode ficar mais cara em 2027. A pressão vem da reforma tributária que entra em vigor e de projetos de lei em tramitação no Congresso, que afetam tarifas e o equilíbrio contratual das concessões de saneamento.

A reforma tributária, prevista para 2027, deve elevar a carga de tributos das empresas do setor. Hoje, o saneamento paga PIS e Cofins, totalizando 9,25%. Com a mudança, passam a incidir CBS e IBS, que podem chegar a 28%.

Paralelamente, projetos de lei buscam reduzir ou eliminar tarifas já previstas nos contratos de concessão, o que pode reconfigurar receitas assumidas no momento da assinatura. O resultado é uma equação com menos receita, mas maiores impostos.

O caso mais imediato tramita na Câmara. Um projeto de Carlos Jordy (PL-RJ) propõe mudar a forma de calcular tarifas em condomínios com um único hidrômetro, eliminando a tarifa mínima cobrada hoje por morador.

A proposta substituiria a tarifa mínima por uma taxa básica menor, seguindo diretrizes da ANA. Caso aprovada, entraria em vigor com dois anos de adaptação para as empresas.

Relator Kim Kataguiri redesenhou a proposta, ressaltando que o modelo atual favorece as empresas, mas gera impactos sociais. Ele afirma que o objetivo é corrigir distorções na cobrança por água não consumida integralmente.

O setor sustenta que alterações na estrutura tarifária afetam o equilíbrio financeiro dos contratos. A Abcon aponta que, se a receita for frustrada, o custo precisa ser redistribuído entre consumidores e investidores.

Além do PL de Jordy, a Abcon identifica pelo menos cinco propostas em tramitação que alteram tarifas, incluindo uma que institui tarifa social para microempreendedores e templos religiosos.

Contexto regulatório e cenário de investimentos

Diante da conjuntura, o setor busca apoio para uma PEC que equipare o saneamento aos serviços de saúde na reforma tributária, reduzindo o impacto sobre as tarifas. A PEC depende de aprovação ainda neste ano para viabilizar cálculos de reequilíbrio contratual.

O receio é que reforma tributária e mudanças legais comprometam o marco legal do saneamento, aprovado em 2020, que estimulou a participação privada. Entre 2019 e 2025, municípios com atuação privada cresceram de 291 para 1.820.

Em 2024, o setor registrou investimentos de 29,1 bilhões de reais. Especialistas lembram que contratos podem exigir recomposição financeira se receitas forem redimensionadas.

Advogadas destacam que muitos contratos foram estruturados sob a tributação vigente. Mudanças futuras exigem revisão com prazos curtos, para evitar repasses tarifários aos consumidores.

Especialistas também sinalizam que alterações na remuneração podem elevar o custo de financiamento de projetos de infraestrutura, impactando novos leilões e a percepção de risco regulatório por investidores.

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