O choque no mercado internacional de petróleo, provocado pelo conflito no Oriente Médio, afeta o preço de derivados e amplia a incerteza sobre as contas públicas. O Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 112, divulgado pelo IFI, aponta um equilíbrio fiscal ainda precário para 2026, mesmo com uma folga momentânea obtida pelas exportações.
Segundo o documento, o arcabouço fiscal atual sustenta-se pela aderência às metas, valendo-se de descontos legais e dos limites da banda de tolerância. A piora externa gerou um colchão de segurança, que explicou a retirada de medidas adicionais, como o fim da chamada “taxa das blusinhas”.
Projeções do governo são vistas como extremamente otimistas
A análise destaca que as metas de resultado primário do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2027 são de 0,5% a 1,5% do PIB entre 2027 e 2030. O IFI observa discrepância entre esses números e os parâmetros macroeconômicos usados pelo governo, o que pode distorcer projeções de receitas, despesas e dívida pública.
Despesas obrigatórias elevam o peso do gasto primário
A Previdência Social continua a ser a maior despesa primária obrigatória do governo federal e voltou a crescer acima da inflação após 2021. Em 2025, os desembolsos somaram R$ 1,027 trilhão, equivalentes a 8,1% do PIB e a 42,9% da despesa primária da União, impulsionados pelo estoque de benefícios e por auxílios por incapacidade.
Riscos que ameaçam as contas públicas
O relatório aponta o principal risco, com potencial impacto de 17,8% do PIB em 2025, derivado de demandas judiciais. Além disso, o estudo registra exposição de estatais federais e classifica como provável a necessidade de aportes emergenciais aos Correios.
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