O Ibovespa encerrou a sexta semana seguida no vermelho, a maior série de perdas desde 2018, em meio a pressões por alta de juros, energia cara e incertezas geopolíticas. O recuo acumulado desde o pico histórico em abril chega a 11,2%. Hoje, o índice caiu 0,8%, fechando o período com queda de quase 6% no mês.
A semana foi marcada pela fraqueza de fluxos estrangeiros e pela percepção de que o choque de energia permanece mais intenso e mais duradouro do que analistas estimavam. O dólar, que encerrou a semana em queda, rompeu hoje a casa dos 5,03 reais, com alta de 0,55% na sessão.
Entre fatores que ajudaram a derrubar o desempenho, destacam-se o Brent acima de US$ 100 por barril há meses e a indefinição sobre juros nos EUA, que influencia as decisões globais. O saldo de investimentos estrangeiros no ano passou de entrada líquida de R$ 56,5 bilhões para R$ 44,8 bilhões em maio.
O giro financeiro do Ibovespa hoje ficou em R$ 15,2 bilhões, abaixo da média dos últimos 12 meses (R$ 18,2 bilhões). Mesmo com a sinalização de que houve avanço no diálogo sobre o Estreito de Ormuz, o mercado não reagiu majoritariamente de forma positiva.
À beira da virada
A semana trouxe o primeiro indício concreto desde o início do conflito de Ormuz de que o estreito pode abrir novamente. EUA e Irã apresentaram um rascunho de acordo preliminar para cessar-fogo e garantir a navegação, mas a reação externa foi contida.
A inversão de fluxo de capitais em maio favoreceu teses de tecnologia e países emergentes asiáticos, reduzindo a liquidez de ações no Brasil. O focus aponta para inflação mais alta e novas revisões de juros, elevando a percepção de que a Selic pode ficar em patamares elevados por mais tempo.
Com o petróleo ainda elevado, o mercado ajusta as expectativas de renda fixa e de juros. Enquanto parte do Ibovespa pode se beneficiar de menor prêmio de risco com um possível acordo, ações ligadas a petróleo perdem o equilíbrio, e o peso da Petrobras segue relevante no índice.
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