A edição do evento Nexo Oceano-Clima, promovida pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), reuniu especialistas para discutir o papel do Brasil na transição energética e no posicionamento dos portos diante das mudanças climáticas. O debate destacou a importância de conectar inovação, infraestrutura portuária e energias limpas.
O painel de descarbonização ressaltou que o país tem vantagens competitivas: extensa costa, matriz elétrica relativamente descarbonizada e grande potencial de renováveis. A atuação brasileira pode mirar uma liderança global em uma economia de baixo carbono ligada ao oceano.
Portos limpos e energia do mar
Especialistas enfatizaram que portos não devem ser apenas pontos de exportação e importação, mas hubs tecnológicos e energéticos. A visão é integrar eletrificação, combustíveis limpos, digitalização e armazenamento energético, com resiliência costeira.
Ações de logística multimodal apareceram como vetor-chave. A integração entre transporte marítimo, ferroviário e hidroviário pode reduzir emissões de gases de efeito estufa em comparação ao caminho rodoviário, melhorando eficiência energética.
Aeroporto de oportunidades, como o potencial de eólica offshore, foi destacado como motor de desenvolvimento. A região costeira brasileira pode ampliar geração de eletricidade, criar cadeias industriais e estimular o hidrogênio verde, conectando-se a portos.
Exemplos e planejamento
Caso de Santos foi citado para ilustrar planejamento urbano-climático aliado a infraestrutura verde e desenvolvimento econômico portuário. A experiência demonstra a viabilidade de alinhar adaptação costeira com crescimento econômico.
O debate ressaltou que adaptação climática e transição energética devem caminhar juntas. Cidades costeiras exigem planejamento territorial, inovação tecnológica e infraestrutura resiliente para sustentar o crescimento portuário.
Para o Brasil, o caminho depende de governança integrada e agenda de longo prazo. Regulação estável, cooperação entre esferas de governo, universidades e setor privado são pontos centrais.
Desafios estratégicos
Os participantes destacaram a necessidade de evitar fragmentação institucional e disputas setoriais. Um planejamento estratégico integrado é visto como decisivo para não comprometer o tempo de implementação.
O evento reforçou que o oceano pode ampliar a estabilidade climática, a segurança energética e a competitividade internacional do Brasil. A transição energética, segundo o iCS, depende de uma visão sistêmica que conecte oceano, clima, tecnologia e portos.
O debate concluiu que o Brasil tem potencial expressivo para liderar uma agenda global nesse campo, desde que haja articulação entre governo, academia e setor privado.
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