O aumento de datacenters no Brasil pode pressionar a rede elétrica. Dados do ONS, CCEE e EPE apontam 22 pedidos de acesso com contratos assinados, dos quais 18 já têm autorização de conexão. Estados como SP, CE, RN e BA estão em foco para próximos anos.
A EPE já incluiu em 2026 estudos para reforços na transmissão no Rio de Janeiro e em São Paulo. A expectativa é que a demanda cresça significativamente, puxada pelo crescimento de centros de processamento de dados no país.
A projeção de consumo de energia associado a datacenters deve saltar de 304 MW médios em 2026 para 3.457 MW em 2030, um crescimento superior a onze vezes. O estudo conjunto do ONS, CCEE e EPE, divulgado em abril de 2026, confirma o cenário de tensão na infraestrutura de transmissão.
Independência energética e operacional
O Uptime Institute mantém a classificação Tier para datacenters há mais de 30 anos, ainda vigente. No entanto, a solução passa pela confiabilidade operacional, não apenas pela transmissão. A disponibilidade necessária varia entre 99,982% e 99,995%, com ambição de quase 100% em alguns casos.
Segundo Luiz Carlos Martins, gestor de grandes projetos, datacenters Tier III e IV exigem operação 24/7 com redundâncias. Sistemas autônomos de energia, como geradores, são comuns para assegurar o tempo de disponibilidade frente a falhas.
Gêmeos digitais e redundância
Marcados por réplicas virtuais em tempo real, os Digital Twins permitem monitorar integridades, simular falhas e prever desgastes. Eles complementam, mas não substituem, redundâncias e testes operacionais.
Fabiano Lovato Trindade, da Leão Energia, explica que nos datacenters de alta obrigação, geradores a diesel ou gás natural atuam automaticamente após falha da rede primária, com autonomia entre 12 e 72 horas, conforme contrato. A manutenção preditiva é essencial para a continuidade operacional.
Incentivos fiscais e políticas públicas
O projeto de lei n° 278/2026 propõe o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (REDATA). O texto está em tramitação no Senado Federal e busca atrair investimentos ao setor.
Tecnologias de resfriamento
Especialistas destacam técnicas de resfriamento para reduzir consumo de água e energia. O sistema de resfriamento de circuito fechado reutiliza água sem evaporação. Outras alternativas incluem resfriamento por imersão, que pode reduzir consumo de água em até 50% e energia em até 52%.
O resfriamento a seco elimina a necessidade de água, mas pode ter eficiência menor em climas quentes. O free cooling usa ar externo quando viável, especialmente em regiões com clima ameno ou em soluções modulares no Sul.
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