O Carrefour Brasil, sob nova gestão, busca simplificar e unificar operações para reduzir custos e manter preços competitivos. O CEO Pablo Lorenzo, argentino, assumiu há quase um ano com esse objetivo central.
Segundo Lorenzo, o foco está em turbinar as vendas em grandes lojas, especialmente atacarejo, consolidando a atuação do Atacadão, Carrefour e Sam’s Club. As lojas de proximidade Carrefour Express ficam em segundo plano.
O grupo opera no Brasil com cerca de mil lojas, gerando, no ano passado, vendas de aproximadamente R$ 123,5 bilhões. O país é considerado estratégico até 2030, ao lado da França e da Espanha.
Mudanças estruturais já ocorreram. A sede foi transferida de Barueri (SP) para São Paulo, integrando-se à equipe do Atacadão. Marcos Samaha assumiu a liderança do atacarejo em abril deste ano.
A companhia planeja vender ativos de alto valor, incluindo imóveis, para financiar a expansão. Até 2030, o Atacadão deve abrir cerca de 70 novas lojas, com investimentos globais entre € 1,8 bilhão e € 2 bilhões por ano.
Plano do grupo prevê maior centralização de compras e um sistema de fidelidade transversal aos três formatos de grandes lojas. Com a estratégia, a empresa busca reduzir custos e ampliar participação de preço competitivo.
A estratégia também envolve ampliar o sortimento de perecíveis, aumentar itens da marca própria e digitalizar mais as vendas. O objetivo é elevar a recorrência de compra e fidelizar clientes.
O digital representa hoje cerca de 10% das vendas do grupo, com metas para 2030 de 15% a 17%. A expectativa é crescer no varejo físico ao mesmo tempo em que o digital avança, principalmente no Atacadão.
Segundo Lorenzo, o Brasil tem 125 mil funcionários e representa um polo expressivo para o crescimento do grupo. A reforma trabalhista é tema em discussão no Congresso, com o objetivo de flexibilizar jornadas sem impactar a inflação.
Sobre o formato de proximidade, o Carrefour Express tem peso menor na estratégia do Brasil. O plano é priorizar atacarejo, hipermercado e clube de compras, mantendo o Sam’s Club como peça-chave.
O executivo destacou que a transformação envolve adaptar formatos ao consumidor, com foco em preço acessível e oferta variada. A meta é tornar o hiper mais acessível e ampliar a participação de B2B dentro das lojas.
A empresa encara o desafio macroeconômico, com juros em 14,75% ao ano e inflação de alimentos em alta. A resposta está na redução de custos, maior eficiência de compras e portfólio mais alinhado ao bolso do consumidor.
Perguntado sobre o futuro, Lorenzo sinalizou otimismo. Acredita que o mix certo de oferta, com foco no Atacadão, Carrefour e Sam’s Club, pode manter a liderança no varejo brasileiro e ampliar a penetração de mercados.
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