A Gen Z segue interessada em comprar imóveis, mas o caminho até a aquisição permanece estreito. Dados de uma pesquisa indicam que 59% dos jovens entre 21 e 28 anos planejam adquirir uma propriedade em 2026. Ainda assim, apenas 9% das famílias concluíram uma compra no último ano.
A intenção de compra no Brasil atingiu 50% no quarto trimestre de 2025, a maior da série iniciada em 2019. O levantamento é feito pela Brain Inteligência Estratégica em parceria com a Abrainc. O contraste entre desejo e efetividade é destacado pelo mercado.
Entre os fatores que travam o negócio, estão juros altos, renda ainda em formação e critérios de crédito mais rígidos. O crédito imobiliário ficou mais caro em 2025, dificultando a aprovação de financiamentos para jovens.
Motivações e barreiras
38% dos que planejam comprar citam a saída do aluguel como motivação principal. A busca por autonomia e estabilidade patrimonial aparece como vetor central, com 72% de intenção de possuir imóvel entre todas as faixas etárias.
A taxa de intenção de locação entre a Geração Z é de 41%, um indicativo de estágio de transição, segundo especialistas. Analistas destacam que muitos jovens buscam primeiro a base financeira para sustentar um financiamento de longo prazo.
Perfil do imóvel e cenário macro
A preferência fica por imóveis compactos, como studios ou de um dormitório, em áreas centrais ou próximas a trabalho e serviços. O formato reflete orçamento limitado, modelos de trabalho híbrido e mobilidade urbana.
A Selic elevada em 2025 eleva os juros do crédito. Entre os jovens, com histórico de crédito curto, a aprovação é ainda mais desafiadora. O mercado aponta que mudanças de mentalidade podem preceder ajustes no crédito.
Acompanhamento e perspectivas
Mesmo diante das barreiras, 68% dos interessados pretendem comprar em até dois anos, sugerindo demanda represada no médio prazo. Regiões com maior intenção de compra são Nordeste (55%) e Sudeste (47%).
Especialistas veem o Minha Casa Minha Vida como ferramenta relevante para acelerar a entrada de jovens de menor renda, ao usar recursos do FGTS e oferecer taxas subsidiadas.
A percepção é de que transformar intenção em venda depende da trajetória de juros e da capacidade dos jovens de estruturar planejamento financeiro antes de assinar crédito. A crise de financiamento é vista como desafio e oportunidade.
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