O que houve recentemente no mercado de ações levou a uma pergunta incômoda: há ou não uma bolha? Nas últimas semanas, ações de semicondutores subiram mais de 38% em abril, a melhor performance do setor desde 2000. A Alphabet chegou a ganhar 10% em um único pregão, elevando seu valor de mercado em mais de US$ 421 bilhões numa sessão.
Esses movimentos acenderam o debate sobre bolha. A resposta honesta é: talvez. Identificar esse fenômeno é mais complexo do que parece, e a certeza absoluta pode atrapalhar ainda mais o processo. A bolha envolve narrativa coletiva, não apenas preços elevados.
Para entender o que caracteriza uma bolha, vale seguir a linha de especialistas como Owen Lamont. Ele aponta ingredientes como preços altos, alta volatilidade, volume de negociação intenso e crenças de bolha. Sem essa adesão coletiva, o risco não se transforma em estampido de estouro.
A pesquisa dele também sugere dois componentes adicionais: perda de liquidez e muitas emissões de ações. Em 2020 e 2021, centenas de SPACs abriram capital com entusiasmo, gerando perdas superiores a US$ 100 bilhões quando a bolha estourou. Demais pistas indicam o mesmo padrão.
Outra evidência histórica: a bolha pontocom nos anos 1990 viu várias empresas de internet captar dinheiro mesmo sem modelo sólido de negócios, antes decolando para o colapso. Atualmente, não há uma enxurrada igual de emissões, mas o cenário pode mudar.
Entre os sinais de mercado, o comportamento de perseguição de performance aparece mais claramente em alguns momentos. O sobe-desce pode se tornar combustível para mais alta, afastando-se de fundamentos. Contudo, há variações: parte dos investidores compra na queda após notícias ruins.
Há também o alerta sobre ser ousado demais. Quem acredita prever com precisão o estouro pode tomar decisões arriscadas, vendendo tudo ou aumentando a exposição de forma inadequada. A cautela é essencial.
Uma estratégia prudente é revisar a diversificação. Olhar além do S&P 500, considerar ações menores, mercados internacionais e ativos que ficaram para trás. Avaliar rebalanceamento e o papel do assessor financeiro também é relevante.
Não é recomendação de venda ou compra, apenas orientação para reduzir riscos. O cenário pode permanecer caro, recarregar ou corrigir de uma hora para outra. A ideia central é preparar a carteira para diferentes futuros, não depender de uma única previsão.
Coluna escrita por Bruno Corano, economista, investidor e empreendedor, fundador da Corano Capital, com atuação em Nova York e São Paulo. As opiniões são do autor e não refletem necessariamente a BM&C News.
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