O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou nesta quinta-feira a conclusão de uma nova fase da Operação Fluxo Oculto, desdobramento da Carbono Oculto. A investigação mira a atuação de fintechs em lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A descoberta ocorreu por meio das informações financeiras enviadas à Receita Federal no ano passado.
Durigan explicou que o vínculo entre fintechs e crime organizado foi desvendado com o sistema de envio de dados financeiros implementado pelo governo em 2025. O governo diz ter identificado também uso de criptoativos para lavagem de dinheiro e reforçou que seguirá as fiscalizações.
A implementação da declaração eletrônica e-Financeira ampliou o alcance da Receita, que passou a receber dados de mais de 450 instituições financeiras. Entre as seis fintechs analisadas, três informaram cerca de R$ 8 bilhões movimentados em 2025, segundo a pasta.
Três outras fintechs não entregaram a obrigação e serão autuadas pela Receita Federal. O Ministério da Fazenda ressaltou que houve resistência inicial, que mais tarde foi superada pela obrigatoriedade de envio de informações.
Operação Fluxo Oculto
A segunda fase da operação envolve o Gaeco do Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal. A meta é confirmar infiltração do PCC no setor de combustíveis e ampliar o combate à lavagem de dinheiro.
Ao todo, são 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A ação envolve cerca de 135 profissionais entre auditores, analistas e servidores.
Os alvos incluem empresários, operadores logísticos e pessoas usadas como laranjas. Os investigadores apontam que o grupo manteve a atuação após a Carbono Oculto, demonstrando organização significativa.
Entre as táticas identificadas, houve concentração de operações de dezenas de postos de combustíveis em uma única conta. Além disso, houve migração de recursos entre fintechs para dificultar o rastreamento.
Um ramo do esquema importava solvente nafta para adulterar combustíveis e, assim, promover a sonegação de impostos. O lucro obtido com a prática era reinvestido em fintechs sediadas em São Paulo.
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