O governo federal acelera o que tem chamado de “kit reeleição”, um conjunto de gastos públicos com finalidade eleitoral que pode pressionar a inflação em 2026. O pacote soma quase 190 bilhões de reais, equivalente a 1,4% do PIB, com anúncios ocorrendo nos últimos 30 dias. Novas medidas devem entrar em vigor até 4 de julho, quando passam a vigorar as regras do período eleitoral.
Entre os componentes estão mudanças no IRPF com isenções e descontos que devem injetar 33,5 bilhões de reais nas famílias. Também há crédito subsidiado para motoristas de aplicativo e taxistas, com aporte do BNDES, estimado em 30 bilhões. Um novo consignado para trabalhadores do setor privado deve chegar a 28 bilhões.
Desenrola 2.0, a renegociação de dívidas, libera 22 bilhões. O Brasil Soberano oferece crédito subsidiado a empresas, com 21 bilhões. Os programas Move Brasil 1 e 2 destinam 20,5 bilhões para renovação de frotas de caminhões e ônibus. No setor imobiliário, crédito de 10 bilhões, Reforma Casa Brasil com 9,5 bilhões e ampliação do Minha Casa Minha Vida com 8 bilhões.
Resumo de subsídios diretos inclui Luz do Povo com 4,5 bilhões e Gás do Povo com 1,7 bilhão. A isenção do IRPF para quem ganha até 5 mil reais e a valorização do salário mínimo já estimularam o consumo no primeiro trimestre, com alta de 1,1% frente ao trimestre anterior.
Impactos sobre a inflação e o equilíbrio fiscal
Analistas indicam que as medidas devem elevar a demanda, mas o efeito total pode ficar abaixo dos valores anunciados, já que parte do crédito não será usada integralmente em 2026. O resultado, segundo os especialistas, tende a impulsionar o PIB no curto prazo, com efeito limitado no longo prazo.
O Banco Central mantém a política de juros restritiva para controlar a inflação, enquanto o governo amplia gastos. Pesquisadores destacam que essa assimetria pode manter a inflação elevada mesmo com cortes de juros no futuro. A expectativa é de alta de preços em 2027.
Preços e fatores estruturais também influenciam a inflação. Dados de abril mostram aceleração do atacado, com petróleo e gás recordando altas. Serviços regulados, energia elétrica e planos de saúde contribuíram para a pressão de preços, ampliando a rigidez da inflação.
Perspectivas para 2026 a 2028
Especialistas indicam três cenários para a inflação até 2028. O cenário otimista pode fechar 2026 em 5%, com quedas suaves nos anos seguintes. O cenário base aponta IPCA em 5,2% em 2026 e desinflação gradual a partir de 2027. O cenário pessimista projeta inflação acima de 5,4% em 2026, mantendo-se elevada.
Em todos os cenários, o IPCA de 2026 ficará acima da meta central de 3%, com margem de tolerância de ±1,5 ponto. A manutenção da Selic em patamar restritivo é vista como o principal freio para evitar desordem fiscal e financeira.
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