O dólar mantém a fortaleza como referência global, mesmo diante de turbulência política em 2025. O euro segue como segunda moeda mais relevante, pouco acima de 20% do sistema monetário internacional, sem substituir o dólar. O BCE publica hoje um relatório sobre o papel internacional do euro.
Segundo o BCE, o peso do euro no comércio, reservas, emissões de dívida e operações de câmbio fica ao redor de 20%, cinco pontos acima da participação da zona do euro na produção mundial. A instituição ressalta avanços, mas aponta que o ritmo é lento para ampliar a influência global.
Christine Lagarde, presidente do BCE, disse que o euro precisa de mercados de capitais mais profundos e líquidos para ganhar tração. O documento também cita a importância de manter a confiança nas instituições da zona euro, destacando que questões de Estado de Direito, sobretudo nos EUA, não abalam significativamente o dólar.
O BCE aponta que a mudança no status quo de décadas continua restrita: a participação do euro nas reservas centrais permanece estável, com menos de 10% dos bancos centrais citando tarifas dos EUA como fator de ajuste. O dólar mantém, aproximadamente, 57% das reservas mundiais, conforme o relatório.
Apesar disso, a diversificação de reservas é real. Em 2025, compras de ouro caíram para cerca de 850 toneladas, elevando o peso do metal para 27% das reservas oficiais. Mesmo assim, ajustado o valor do ouro, o euro fica próximo de 16%, enquanto os títulos do Tesouro, em torno de 26%.
O euro ganha impulso como moeda de denominação de dívidas internacionais. Em 2025, o volume de empréstimos e bonds em euros subiu cerca de 30% ante 2024, superando 1,1 trilhão de dólares. O mercado de bônus em euros também cresceu quase 50%, com vantagens de custo de emissão.
Além disso, o euro emergiu como líder no mercado de bonds verdes e sustentáveis em 2025, com quase 100 bilhões de dólares em emissão. O resultado reforça a posição do euro como alternativa para financiamentos globais com foco ambiental.
As entradas de capital externo na zona do euro atingiram 2025 com patamares próximos aos históricos, acima de 850 bilhões de euros, majoritariamente via fundos irlandeses e luxemburgueses. Contudo, o BCE alerta que nem toda entrada resulta em capital efetivo para a economia.
Na esfera de câmbio, o euro caiu ligeiramente em participação nas transações globais de divisas em 2025, para cerca de 29%. O yuan chinês, por sua vez, avançou para quase 9% das transações, refletindo ganhos significativos desde a última avaliação.
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