Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, afirma que a divulgação da investigação dos EUA pode ter efeito imediato nos exportadores brasileiros, mesmo sem conclusão final. A recomendação do USTR prevê tarifas de 25% para parte dos produtos, sujeitas a consultas.
O documento aponta exceções e indicações de impactos para itens específicos. Barral ressalta que, se adotadas, tarifas poderiam chegar a 35% para certos bens, elevando o custo relativo diante da concorrência. A visão é de efeito inicial no mercado.
A investigação, aberta em julho do ano passado pela Seção 301, considera práticas brasileiras como irrazoáveis e que afastam o comércio com os EUA. Entre os alvos estão itens como o sistema de pagamento Pix, segundo o relatório.
Barral sustenta que a análise brasileira foi permeável a argumentos do governo americano sobre desmatamento, corrupção e acordos com México e Índia. Segundo ele, não houve atenção equivalente aos impactos para o Brasil e para consumidores.
Economista Guilherme Klein Martins, da Universidade de Leeds, concorda com a leitura de impacto imediato. Ele aponta que a classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas aumenta a incerteza para investidores.
O professor destaca que a coincidência entre a divulgação da conclusão da investigação e a classificação de grupos brasileiros pode levar empresas a segurar investimentos no curto prazo, até que haja desdobramentos.
Caso não haja negociação em 30 dias, o Brasil pode acionar a Lei de Reciprocidade. Barral contesta que o país já abriu processo na Camex para responder a medidas de tarifas dos EUA.
A Camex pode autorizar retaliações comerciais, como tarifas, proteção de propriedade intelectual ou medidas sobre grandes empresas, conforme o instrumento legal. O governo brasileiro já utiliza esse arcabouço desde 2024.
Contexto público aponta que a tensão entre Brasil e EUA envolve comércio, investimentos e atributos regulatórios. A situação segue em fase de consulta pública, com possibilidade de negociações diplomáticas.
Perspectivas
A orientação de Washington ainda depende de consultas, negociações e aprovação final. Empresas brasileiras aguardam desfecho para planejar custos, cadeias produtivas e estratégias de exportação.
Observância internacional
Especialistas ressaltam a necessidade de equilíbrio entre defesa de produção nacional e cumprimento de acordos da OMC. O cenário envolve impactos diretos sobre preço, competitividade e demanda dos EUA.
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