A OECD alerta que a continuidade do conflito no Oriente Médio até 2027 pode provocar uma onda de recessões globais. O organismo projeta um cenário de “disrupção prolongada” com queda do crescimento mundial e aumento de volatilidade nos mercados de energia.
Segundo o Economista-Chefe da OECD, Stefano Scarpetta, o cenário base mostra queda do PIB global para 2,1% neste ano, ante 3,4% em 2025, com economias emergentes entre as mais impactadas pela combinação de choques energéticos e inflação.
O relatório aponta que déficits de energia e pressões sobre fertilizantes elevam custos de produção. A energia mais cara pode levar a racionamento para negócios e atrasos na cadeia produtiva em várias regiões.
Os impactos para políticas públicas incluem o risco de recessão caso bancos conduzam altas de juros de forma acelerada para conter a inflação derivada de energia e alimentos mais caros.
Cenário alternativo
Caso haja progresso rumo a um acordo de paz, as projeções mudam. A OECD antecipa que, com queda nos preços do petróleo, haveria menor disrupção energética, mantendo o crescimento global em cerca de 2,8%.
Mesmo no cenário menos adverso, a OECD ressalta desafios para forças de trabalho e investimentos. O custo de empréstimos para empresas tende a subir pela piora da confiança do mercado.
A instituição destaca que o endividamento corporativo nos países do G20 chegou a 90 trilhões de dólares até o terceiro trimestre de 2025, com grande parte a vencer nos próximos três anos.
O relatório também alerta para riscos no setor de crédito privado, que ganhou importância desde a crise de 2008 e pode gerar efeitos colaterais em caso de contração financeira.
A OECD defende uma transição energética como parte da mitigação de choques futuros. Reduzir dependência de combustíveis fósseis e ampliar eficiência energética são prioridades, sobretudo se a disrupção permanecer.
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