Construtoras estão testando uma nova tese no mercado de luxo de Balneário Camboriú: reduzir a verticalização da orla central e apostar em projetos menores, autorais e de baixa densidade nas praias da Interpraias, ao sul da cidade. A estratégia surge em meio a limitações ambientais e urbanísticas que restringem altura, ocupação e adensamento em bairros como Estaleiro, Estaleirinho e Taquaras.
Segundo a J. Maurício, imobiliária especializada na região, o preço do metro quadrado na Interpraias já avançou mais de 200% nos últimos cinco anos. Hoje, na Praia do Estaleiro, anúncios situam-se em torno de R$ 22,7 mil por m², com projeções de valorização adicional de cerca de 50% nos próximos dois anos. Em negócios muito específicos, há estimativas de chegar a R$ 100 mil por m².
Essa leitura, porém, deve ser compreendida com cautela. Trata-se de imóveis raros, com assinatura arquitetônica, oferta limitada e localização premium, e não uma média de mercado. Ainda assim, os movimentos das incorporadoras indicam que a tese deixou de ser apenas discurso comercial.
Propostas e investimentos
A Blue Heaven planeja no Estaleirinho um projeto com seis apartamentos distribuídos em três pavimentos, assinado por Márcio Kogan e Samanta Cafardo, do Studio MK27. A AG7 anunciou a transformação da área do antigo Parador Estaleiro Hotel em seu primeiro empreendimento de alto luxo em Santa Catarina, com investimento estimado em R$ 282 milhões e arquitetura de Isay Weinfeld, com unidades entre 300 m² e 450 m².
Para os incorporadores, há espaço para um luxo menos ostentoso do que na Avenida Atlântica, mas com potencial de custo elevado. O atrativo continua sendo praia preservada, baixa densidade, segurança, arquitetura autoral e acesso rápido à cidade.
Riscos e contexto
O foco em exclusividade pode acelerar a corrida especulativa em uma região cuja principal ativo é justamente a limitação de ocupação. A visão é reforçada por especialistas locais, que destacam a interação entre demanda de alto padrão e regras territoriais que restringem o avanço urbano.
Maurício Girolamo, CEO da J. Maurício e vice-presidente do conselho gestor da APA Costa Brava, ressalta que Balneário Camboriú já mostrou o efeito da escassez sobre o preço, mas em Interpraias a escassez está atrelada à natureza e às regras de uso do solo, não apenas ao mercado.
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