O mercado financeiro prevê que a inflação ficará acima do teto da meta por 11 meses seguidos, até março de 2027, segundo o Sistema Expectativas de Mercado, que embasa o relatório Focus. O cenário antecede a decisão do Copom, marcada para 17 de junho.
O IPCA acumulado em 12 meses até maio deve atingir 4,62%, conforme as medianas das projeções. A partir de junho de 2026, a inflação permanece acima de 4,50% até abril de 2027, quando seria de 4,28%.
Abr./26 4,39% (realizado) e MAI./26 4,62% aparecem entre as primeiras leituras, seguidas por leituras ascendentes ao longo de 2026 e início de 2027, com pico acima de 5,0% em alguns meses, antes de recuar em abril de 2027.
Expectativas e cenários para a política monetária
Se permanecer estável, o BC poderia manter o ritmo de ajustes monetários com espaço para novas reduções na Selic, segundo as projeções. As estimativas de curto prazo sinalizam que o Copom pode cortar 0,25 ponto porcentual na próxima reunião, levando a Selic a 14,25%.
A projeção aponta queda adicional ao ritmo de fim de ano, até 13,50% ao fim de 2026, mantendo o tom de cautela. Na última decisão, em 29 de abril, a Selic foi reduzida de 14,75% para 14,50%, com o comitê destacando a calibração conforme informações externas.
O comitê sinalizou que continuará acompanhando informações disponíveis, incluindo impactos de conflitos geopolíticos e variações cambiais, para ajustar a trajetória da política monetária. O conjunto de dados reforça a necessidade de monitoramento contínuo da inflação.
Observações sobre o cenário
A deterioração das expectativas está associada à aceleração da inflação corrente, ao desempenho do PIB do 1º trimestre de 2026, à valorização do dólar e a fatores externos. Mesmo com revisões altistas para a trajetória da taxa de juros, as medianas indicam espaço para cortes adicionais no futuro próximo.
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