Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, aponta que as tarifas propostas pelos Estados Unidos têm efeito macroeconômico limitado, mas impacto relevante para estados específicos. Ele defende estratégia brasileira para reverter a medida.
O economista falou durante evento promovido pelo Lide em São Paulo, que discutiu as relações econômicas Brasil-EUA. Segundo ele, há oportunidades de exportação desperdiçadas pelo Brasil no mercado americano.
Dados de comércio mostram assimetrias: os EUA importam cerca de 12% do seu PIB, enquanto as exportações brasileiras para os EUA representam apenas 1% das compras americanas. Essa diferença reforça a relevância da pauta.
Troyjo afirma que ambientes despolitizados ajudam, mas reconhece forte peso político nas negociações. A avaliação é de que a política influencia decisões sobre tarifas, dificultando acordos.
Segundo o ex-diretor, o Brasil deve evitar tarifas via a Seção 301, destacando que o efeito macro é pequeno, mas o impacto em empregos de estados como São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná é significativo.
Contexto da proposta tarifária
A tarifa de 25% para o Brasil e outra de 12,5% para um grupo de 60 países integram a agenda da Seção 301. A decisão final deve sair ainda em julho, segundo o panorama atual.
Troyjo sugere ações técnicas aliadas a mobilização de compradores americanos para reduzir o efeito estagflacionário. A ideia é demonstrar custos elevados e incertezas duradouras causadas pelas novas regras.
Perspectivas de setores e avaliações de especialistas
Joaquim Levy, do Banco Safra, espera impacto maior nos setores industriais com maior valor agregado. Mantém a esperança de um equilíbrio após intervenções técnicas.
Henrique Meirelles afirma que relação Brasil-EUA é estável e de longo prazo. Ele ressalta a importância de ambientes regulatórios que facilitem negócios, citando diferenças entre PIX e cadastros de crédito no exterior.
Meirelles aponta que a inclusão do PIX na pauta de 301 não é evidente do ponto de vista da defesa brasileira, pois o PIX é um serviço público brasileiro. Diz que a ausência de sistemas equivalentes nos EUA é um entrave competitivo.
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