O maior risco para a relação Brasil–EUA hoje seria uma escalada de tarifas retaliatórias em resposta às recentes medidas dos Estados Unidos, segundo Cassiana Fernandez, economista-chefe do JPMorgan para o Brasil. Ela participou do Seminário Econômico Brasil-EUA, em São Paulo, nesta terça-feira.
A especialista afirmou que o Brasil deve permanecer na mesa de negociações com o governo de Donald Trump, mas reforçou que novas tarifas agravariam a inflação doméstica em um ambiente já deteriorado. O evento contou com o Cônsul-Geral dos EUA em São Paulo, Kevin Murakami.
Segundo Fernandez, a tarifa média dos EUA sobre o Brasil estaria em torno de 11%, podendo subir para 19% caso as novas tarifas de 25% anunciadas pelo governo americano sejam aplicadas. Ela explicou que o mercado potencial para o Brasil é grande, mas o impacto depende das cadeias afetadas.
Destaques sobre o investimento direto
A economista destacou a assimetria entre tarifas e o fluxo de Investimento Estrangeiro Direto (IDP) dos EUA para o Brasil. O IDP sustenta parte da capacidade produtiva e de empregos qualificados, segundo ela, e deve seguir ativo mesmo em cenários protecionistas.
Fernandez ressaltou que o IDP total deste ano deve chegar a 3,3% do PIB brasileiro, com cerca de 19% vindo dos EUA. Estima-se que o investimento proveniente da China seja de 7% a 8%, segundo cálculos do JPMorgan.
Para proteger o ambiente de investimento, a economista sugeriu foco em agenda regulatória confiável, previsibilidade e estabilidade macroeconômica. Ela enfatizou a importância de manter uma relação estável para atrair capital.
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