A expectativa é de alta expressiva para a safra brasileira de café em 2026, com a maior colheita já registrada. A Conab projeta 66,7 milhões de sacas, alta de 18% em relação ao ciclo anterior e o maior volume da série histórica. O USDA aponta ainda maior produção, em 71,9 milhões de sacas.
A estimativa é baseada em condições observadas no campo, com a região do Cerrado Mineiro apontando para retorno ao patamar de cerca de 7 milhões de sacas, frente a média dos últimos dois anos de 5,2 milhões. A colheita deve ganhar ritmo a partir da segunda metade de junho, em várias regiões do país.
Apesar do volume recorde, o setor segue atento a dois fatores. O primeiro é o nível de estoques globais, ainda baixo após safras anteriores desfavoráveis. O segundo, mais preocupante, é o El Niño, com aquecimento anormal do Pacífico que pode alterar o regime de chuvas a partir do segundo semestre.
El Niño e riscos para 2027
Segundo analistas, o El Niño pode comprometer a floração e o desenvolvimento dos frutos da safra de 2027, caso haja condições climáticas adversas. A possibilidade de restrição de oferta pode manter pressões de preços no futuro.
A projeção de preços ao consumidor aponta estabilidade ou leve queda no curto prazo, puxada pela safra recorde e pela recomposição parcial de estoques. No entanto, o impacto só deve se consolidar caso o El Niño se confirme com intensidade elevada.
Especialistas ressaltam que o efeito depende de fatores como o ritmo de plantio, manejo das lavouras e contratos comerciais vigentes. Mesmo com a chegada de uma safra expressiva, as variações climáticas permanecem como elemento-chave para o desempenho do setor.
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