O Brasil foi apontado como destaque no início de 2026, mas a percepção dos investidores mudou ao longo do ano. O Ibovespa acumula ganho próximo de 5% até 10 de junho, ainda assim ficando atrás do S&P 500, que sobe cerca de 6%.
A leitura de especialistas aponta fatores estruturais para a reversão de ânimo. Juros elevados no Brasil e nos EUA coexistem com trajetórias de risco distintas, impactando a atratividade relativa de ações brasileiras frente à renda fixa.
Segundo Felipe Arslan, gestor da Morada Capital, no Brasil o juro alto reflete riscos fiscais, políticos e econômicos. Nos EUA, porém, a economia cresce com resultados robustos das empresas, mantendo a confiança no lucro corporativo.
A diferença de cenários também se explica pela dinâmica de fluxos de capitais. O investidor estrangeiro tem sustentado parcialmente o Ibovespa, mas o interesse doméstico fraco, com a Selic em 14,50% ao ano, reduz a base de compra local.
Além disso, NTN-Bs permanecem com taxas elevadas, o que eleva o prêmio exigido pelos investidores para financiar o governo. Esse prêmio reduz o apelo de ativos de risco no longo prazo.
O cenário político futura incerteza também pesa. Mesmo com eleições ainda longe, operadores tentam antecipar rumos da política econômica para 2027, elevando a demanda por retorno remunerado.
A Morada Capital indica que a distância entre Brasil e Estados Unidos pode persistir, dadas as assimetrias entre mercados. Contudo, isso não implica saída definitiva do país, apenas ajuste de posicionamento conforme o ciclo.
Fatores como qualidade de lucros, inovação tecnológica e condições macroeconômicas globais continuam moldando a atratividade de ações brasileiras frente aos pares internacionais, segundo a visão de gestores consultados.
Michael Arslan, da Morada Capital, reforça que o equilíbrio entre juros, risco fiscal e perspectivas de crescimento determina o humor do investidor. O cenário sugere continuidade de volatilidade nos próximos meses.
Este panorama reforça a ideia de que o mercado reage a probabilidades de futuro, não apenas a números atuais. A aposta em cenários mais previsíveis nos EUA permanece sendo um diferencial para o fluxo de capitais.
Fonte: Michael Arslan, Morada Capital, gestor consultado pela reportagem.
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