A Natura registrou queda de quase 8% nas sessões seguintes à divulgação de resultados negociados, com recuo de 5,7% ontem e mais 2% hoje, sendo a segunda maior baixa do Ibovespa. A movimentação ocorre apesar de a empresa não ter divulgado fatos novos que expliquem o recuo.
O alvo do negócio envolve a Advent, gestora de private equity que se comprometeu a adquirir de 8% a 10% do capital da Natura em operações a mercado, a um preço médio de 9,75 reais, com prazo de seis meses. O acordo pode ser cancelado caso o preço médio supere 9,75 reais nos três meses seguintes à assinatura, ou seja até 30 de junho.
Atualmente, a ação está próxima de 8,50 reais, patamar abaixo do preço de referência. Um analista de buyside aponta que, para manter o preço médio abaixo de 9,75, o papel precisaria fechar dias em torno de 8,60 reais até o fim de junho. A volatilidade acompanha o humor do mercado local.
Entre os fatores de curto prazo, o cenário macro brasileiro vem se deteriorando, com menor expectativa de cortes de juros e elevada dívida entre a população. No curto prazo, especialistas ressaltam o desafio da Natura para retomar o ritmo de crescimento e recompor participação de mercado.
Do lado da pauta corporativa, a empresa passou por uma simplificação operacional, com venda de unidades e redução de alavancagem. Analistas destacam que, se a Advent investir, poderá indicar dois membros ao conselho e influenciar decisões sobre alocação de capital e remuneração executiva com foco em geração de valor.
É enfatizado que a possível entrada da Advent não altera de forma substancial a tese da Natura. O cenário permanece desafiador, mas especialistas consideram a ação barata e com potencial de valor, mesmo sem a participação da gestora.
A empresa está avaliada em múltiplo de 8 vezes o lucro estimado para 2027. O regime de avaliação e o desempenho futuro da Natura seguem sob monitoramento de investidores e do mercado financeiro.
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