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Senado aprova pautas-bomba de R$ 263,7 bilhões: entenda os impactos

Senado aprova pautas-bomba que podem custar até R$ 263,7 bilhões, com impacto em saúde, assistência rural e previdência dos municípios

Imagem: Jonas Pereira/Agência Senado
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O Senado Federal aprovou hoje um conjunto de pautas conhecidas como bombas fiscais, que podem custar até 263,7 bilhões de reais aos cofres públicos nos próximos anos. Entre as medidas aprovadas estão o refinanciamento de dívidas de produtores rurais, a criação de um piso salarial de 13.662 reais para médicos e cirurgiões-dentistas, além da aprovação de uma aposentadoria especial para agentes de saúde e endemias.

O refinanciamento do crédito rural, que retornou à Câmara dos Deputados, prevê linha especial com carência, juros diferenciados e prazos ampliados. A estimativa é de que o mecanismo movimente até 140 bilhões de reais em dez anos, com parte dos recursos vindos do Fundo Social do Pré-Sal para compensar custos. O texto estabelece limites por beneficiário e por associação.

O piso para profissionais da saúde também foi aprovado na mesma rodada. Médicos e cirurgiões-dentistas passariam a ter remuneração mínima de 13.662 reais para jornadas de 20 horas semanais, com impactos financiados pelo Fundo Nacional de Saúde. O projeto prevê ainda maior participação de descanso e reajuste anual pelo IPCA.

Aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de endemias também avançou. O texto tramita agora para o plenário, apresentando regras de transição e idades mínimas distintas por sexo. A proposta busca regularizar vínculos e ampliar o acesso aos benefícios, com contagem de períodos de afastamento e readaptação funcional.

Contexto financeiro e reação

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que essas pautas podem tornar o país ingovernável no longo prazo caso entrem em vigor sem ajustes de impacto fiscal. Em entrevista ao UOL, ele ressaltou a necessidade de evitar medidas de grande custo no Congresso para manter a estabilidade orçamentária.

Segundo estimativas oficiais, os custos com o piso da saúde somam cerca de 25 bilhões de reais até 2029. O refinanciamento rural é avaliado em aproximadamente 140 bilhões em dez anos, e os efeitos da aposentadoria para agentes de saúde podem chegar a várias dezenas de bilhões, conforme o modo de cálculo e de gozo do benefício.

Detalhes do refinanciamento rural

A proposta em análise envolve alterações no PL 5.122/2023, ampliando a elegibilidade para produtores afetados por eventos climáticos e por conflitos geopolíticos. O relator no Senado, Renan Calheiros, afirma que não haverá prejuízos aos recursos da saúde e da educação e que o Fundo Social do Pré-Sal pode sustentar a medida.

Os financiamentos teriam juros diferenciados (3,5% ao ano para pequenos produtores; 5,5% para médios; 7,5% para os demais), com limites de até 10 milhões por benefício e 50 milhões por associação ou cooperativa. O prazo de pagamento pode chegar a dez anos, com carência adicional de até três anos.

Aspectos operacionais

A linha de crédito seria operada pelo BNDES e por outras instituições financeiras, com o Executivo definindo o valor global disponível. O texto também permite uso do crédito para quitação de dívidas de crédito rural e Cédulas de Produto Rural contratadas até 31 de dezembro de 2025.

A tramitação continua na Câmara, que deverá analisar as mudanças propostas. Não foram incluídas conclusões ou opiniões no texto apresentado, apenas informações sobre o andamento legislativo e impactos estimados.

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