O IPCA de maio ficou em 0,58%, ante 0,67% de abril, segundo o IBGE. O índice acumula alta de 3,20% em 2026 e 4,72% em 12 meses. A inflação segue em patamar que demanda cautela do Banco Central, apesar da desaceleração.
A composição da inflação, porém, permanece pressionando o custo de vida. Alimentos, energia elétrica e itens de serviços são os principais componentes que mantêm o foco de autoridades e do mercado na condução da política monetária.
O grupo Alimentação e bebidas foi o grande destaque, respondendo por metade da inflação do mês com alta de 1,33%. Batata, tomate, cebola e carnes puxaram o índice, elevando a alimentação no domicílio.
Análise de especialistas
Para o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves, a alta reflete menor oferta e frete mais caro. Café moído e frutas tiveram quedas no mês. A inflação de habitação acelerou para 1,22%, puxada pela energia elétrica residencial, que subiu 3,67%.
O grupo Saúde e cuidados pessoais avançou 0,90%, impulsionado por itens de higiene e planos de saúde. No lado oposto, Transportes apresentou deflação de 0,46%, com queda nos combustíveis, especialmente etanol e óleo diesel, além da gasolina.
Analistas destacam que a leitura continua alinhada às projeções, mantendo a percepção de que a Selic pode permanecer elevada por mais tempo. A composição da inflação, sobretudo núcleos e serviços, é observada como indicativo de persistência das pressões inflacionárias.
Segundo o economista da Armor Capital, a inflação ficou ligeiramente acima das expectativas, mas a leitura qualitativa esteve dentro do esperado, com a gasolina contribuindo para a surpresa e os núcleos em linha com o esperado. A leitura de serviços mostrou-se mais favorável.
No cenário externo, há menção a um possível acordo entre Estados Unidos e Irã que poderia reduzir pressões sobre o petróleo, beneficiando inflação e câmbio, sujeito a estabilidade geopolítica e ao aumento efetivo da oferta global de energia.
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